Baku, a capital do Azerbaijan

Para chegar em Baku foi uma jornada e tanto. Fomos de trem noturno de Tbilisi até lá e levou umas 13 horas. O ticket do trem pra esse trajeto só dava pra comprar pessoalmente, bateu um medo de não conseguir nada pro dia que estaríamos lá. Esses trens são divididos em classes (primeira, segunda e terceira) e cada uma tem um valor diferente. Queríamos o meio termo e por sorte conseguimos uma passagem pra segunda classe (que são 4 camas na cabine).

O trem é bem ok, nada luxuoso. Dividimos a cabine com uma família azeri, avó, mãe e filha (a criança dividiu a cama com a mãe). A cabine é bem apertada e tivemos que fazer uns malabarismos pra ficar todo mundo confortável. Elas não falavam inglês, a mãe sabia bem o basicão, então nossas ”conversas” eram mais na base da mímica e dos sorrisos. Foi uma experiêcia bem interessante. Dava pra falar umas palavrinhas em russo que elas entendiam e aprendemos a falar oi em azerbaijani: Salam!

A viagem foi MUITO cansativa. A gente para em duas fronteiras, desce do trem, sobe de novo, espera, espera mais um pouco e parece que a viagem é eterna. Eu estava bem preocupada em relação a imigração do Azerbaijan, já que eles têm uma fama nada boa, mas até que não foi tão ruim assim (eu realmente estava esperado o pior haha). Pra entrar no país a gente precisa de visto, que dá pra pedir online pelo site do governo e é bem fácil, custa 23 dólares (entrada única) e em 3 dias úteis chega pra você por e-mail. Daí é só imprimir e levar no dia da viagem.

No nosso caso, eles nem pediram pra ver o papel do visto (acho que já deve ficar no sistema com o nosso passaporte, mas é bom imprimir o papel sim). Dentro do trem mesmo eles te chamam numa cabine separada e tiram uma foto sua também. Nesse momento não fizeram nenhuma pergunta. Mas ao voltar pra cabine, tinham uns oficiais revistando o compartimento das malas e um deles nada amigável, me perguntou de onde eu era (e eu só entendi porque ele apontou num papel).

Eu respondi Brazili , daí ele berrou Brazili?? E eu só afirmava dizendo ”da, da, Brazili” e ele ficou mei nervoso (kkkk eles falam Braziliya na verdade). Veio outro cara perguntar se eu falava inglês e me fez a temida pergunta: ‘você já esteve na Armenia?” Foi aliviante poder responder que não, mas dá um nervoso mesmo assim. Ainda mais que nós estávamos indo pra lá depois. Pelo que sei, eles não vão te proibir de entrar no país se você for pra Armenia primeiro (só se você for pra região de Nagorno-Karabakh), mas vão te dar uma canseira, fazer mil perguntas e querer saber detalhes da sua viagem pra lá.

Estava bem calor e quando o trem parava eles desligavam o ar condicionado. A cabine virava uma sauna, que agonia. Muitas horas depois entre todos esses acontecimentos e uma noite mal dormida, chegamos em Baku!

Baku é uma cidade bem interessante de se explorar. Ela tem sua costa ao longo do Mar Cáspio (que não é um mar hehe), um centro antigo murado bem bonito com construções mais tradicionais e também, vários prédios com uma arquitetura super moderna. Uma mistura de contrastes! A cidade é muito comparada com Dubai, dizem que é uma versão menor, por causa das construções, o islã, pretóleo etc… Como nunca fui pra lá, não sei dizer se realmente as duas cidades compartilham da mesma vibe.

Sei que apesar do pouco tempo e muito cansaço, curti bastante o meu tempo por lá.

Caminhamos pelo centro antigo, observando os detalhes desse lugar novo que a gente visitava. Entre as 3 capitais do Cáucaso Sul, Baku é a maior delas e também a mais diferente quando você as compara entre si. Tbilisi e Yerevan têm uma vibe mais parecida. Os três países são ex-repúblicas soviéticas, compartilhando algumas similaridades nesse sentido. Mas só o fato do Azerbaijan ser um país mulçumano, já deixa as coisas mais distintas.

Ali no centro antigo visitamos o Palácio dos Shirvanshahs, um local de importância pra história e arquitetura do país. Os Shirvanshahs eram os governantes de Shirvan, região histórica que hoje é o Azerbaijan. O lugar é bem bonito e vale a pena entrar lá pra conhecer.

De lá se tem uma vista bem bonita pro lado mais moderno da cidade, dando pra ver as Flame Towers de fundo. Elas são o cartão postal de Baku, que diz bastante sobre a cultura do Azerbaijan. O país é conhecido como a terra do fogo, por causa das suas várias reservas de gás natural e essa fama se espalhou durante a época da Rota da Seda. O Azerbaijan tem uma história de culto ao fogo de tempos antigos e essa torres em formato de chamas em Baku são uma ótima forma de representar isso também.

São 3 prédios no formato de chamas, mas que no ângulo da foto acabei pegando só dois e só fui ver que não tirei outras com as três depois. Ops!

Maiden Tower, outro monumento histórico no centro antigo de Baku. É um dos emblemas nacionais, está até estampada nas notas de dinheiro do país. O lugar é todo misterioso e faz parte de lendas na cultura do Azerbaijan.

Uma ótima maneira de ter terminado esse primeiro dia e finalmente conseguir descansar depois, foi ter ido ver o pôr do sol e caminhar a beira do Mar Cáspio. Essa também é uma área importante pra cidade com mais de 100 anos de história, onde os ricões do pretóleo de Baku construíram suas mansões por ali.

O Mar Cáspio é o maior lago do mundo. Mas os povos antigos o consideravam um mar, pela salinidade da sua água e por aparentar ser ~infinito~.

No dia seguinte fizemos um day tour (que vou mostrar em outro post), mas não poderíamos ir embora de Baku sem conhecer outra obra de arte arquitetônica da cidade, o Heydar Aliev Center.

As curvas e o minimalismo de Zaha Hadid, uma arquiteta iraquiana-britânica responsável por essa obra líndissima. Foi muito legal poder ver de perto essa construção. Dá pra passar horas ali fotografando, soltando a criatividade com as diferentes formas e linhas.

Foi pouco, mas foi mega interessante ter conhecido Baku. Prédios de luxo, modernos, outros carregados de tradição e anos de história. Apesar do cansaço, deu pra ver um pouquinho da cidade, certamente teríamos aproveitado melhor em outra ocasião, mas quem sabe numa próxima.

Próximo dia foi intenso: petroglifos, vulcões de lama, templo de fogo.. O Azerbaijan é doido assim, cheio das coisas inusitadas. Mais histórias em um próximo post.

Agora me contem, ficaram com vontade de conhecer esses lugares?
🙂

Comments

  1. Nossa, que viagem que não acabava mais essa que você fez kkk. Já tinha ouvido falar que em alguns países eles tem essas “rixas”, que querem saber os locais que você já visitou e tal. Nunca tinha ouvido falar de Baku, mas pelas fotos e o pouco que você comentou, parece ser lindo. A arquitetura é divina! Já quero conhecer as curvas e o minimalismo de Zaha Hadid. Lindo de mais!

    • Oi Monique! O Azerbaijan e a Armenia não têm relações diplomaticas, a fronteira entre eles é fechada e os dois paises estão em conflito por territórios, por isso eles fazem essa pergunta.
      E siimm, a obra da Zaha é sensacional, muito bonita mesmo 🙂

  2. Que bonito Taís, adorei sua experiência em Baku. Eu nunca tive uma experiência muito boa nesses trens noturnos, acho que só viajando de primeira classe mesmo, né? Hahaha! Beijo, beijo :*

  3. que lugar encantador! sério mesmo que aquilo era um lago? loucura. Confesso que nunca ouvi falar de Baku, mas foi ótimo descobrir por aqui. Lindíssimo e que fotografias mais aconchegantes <3!

  4. Oi Thaís, tudo bem?
    Primeiramente, feliz ano novo!!!!
    Uma das coisas que me fazem amar ler seus relatos de viagem é o fato de você ir para lugares pouco convencionais, o que nos dá a oportunidade de conhecer um pouco de sua existência. Obrigada por compartilhar com a gente. Confesso que nunca me imaginei indo pra esse país, mas me parece um lugar repleto de história e com uma arquitetura magnífica.
    abraços,
    Ava

  5. Que interessante a política de vistos desse lugar.
    Eu não sabia que o Mar Cáspio é o maior lago do mundo, e eu amei os prédios em formato de chamas, uma pena que a terceira construção não saiu na foto.
    Apesar de trabalhoso e cansativo, acho que a sua viagem valeu a pena.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

  6. Imagino como a viagem deve ter sido cansativa! Mas que bom, que tiveram sorrisos amistosos no trem, é bom quando é assim né? O lugar, é real mente incrivel. baku, tem uma arquitetura bonita né ? E o contraste parece ser bem alto, o que a torna mais interessante. Fiquei curiosa para conhecer, como quando leio todos os seus posts.

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