Despedida da Irlanda

A minha despedida da Irlanda não foi muito bem como eu esperava. Eu já imaginava que não seria nada fácil, mas nunca que eu iria pensar que estaríamos vivendo todo o caos de uma pandemia também. E lidar com as duas coisas juntas foi bastante complicado.

Eu sabia que em 2020 eu iria mudar da Irlanda, mas não tinha muita certeza de quando exatamente. Tracei vários planos, iria sair da Irlanda em abril para a Polônia, depois passar um tempinho no Brasil e também viajar um tempo por alguns lugares (Ásia Central era o meu foco e depois ir comemorar meus 30 anos na Islândia) antes de começar a vida nova no novo país, lá pra novembro. Obviamente nenhum plano deu certo, foi o maior caos e a vida deu aquela virada doida. Fronteiras fechando, aquela coisa toda que foi 2020 e eu fiquei ”presa” na Irlanda. Eu simplesmente fiquei numa situação que eu não conseguia resolver minha vida. Já tinha pedido as contas do trabalho, avisado pra dona da casa que eu morava que eu iria sair. Ainda bem que ela entendeu toda a situação e tive sorte que ela não tinha alugado meu lugar pra outra pessoa. assim eu pude continuar lá até as coisas se resolverem.

Foi uma agonia muito grande, muita angústia não saber o que iria acontecer. Minha vida todinha de cabeça pra baixo em todos os sentidos e o mundo a minha volta também. No meu 2020 que deu certo, a minha despedida e mudança teriam sido bem mais tranquilas. Eu iria aproveitar uns dias pra fazer tudo na calma, arrumar minhas coisas e também ir me despedindo da Irlanda aos poucos. Queria ter feito viagens pra lugares que eu ainda não tinha conhecido, aproveitado mais encontros com os amigos e também me despedir dos meus lugares favoritos.

Com as restrições que tínhamos na Irlanda naquela época, foi muito difícil fazer qualquer coisa. A vida era literalmente ficar dentro de casa e ir ao mercado. A restrição no começo não nos permitia ir além de 2km da nossa casa. Definitivamente não era a despedida que eu imaginava. Conforme foi chegando mais o verão, as coisas foram mudando. Poderíamos ir um pouquinho mais longe e também, encontrar pessoas ao ar livre que não fossem da mesma casa. Tudo ainda muito limitado, mas era melhor do que nada.

Meu voo pra Polônia foi cancelado em abril, e fui remarcando sempre pro mês seguinte. Todos os voos seguintes foram sendo cancelados também e isso foi acontecendo de abril até agosto, quando finalmente pude me mudar. Meu voo pro Brasil também foi cancelado e a minha opção era mesmo só esperar quando eu pudesse embarcar pra Polônia. Foi tudo muito stressante, as regras mudavam sempre e tinha o fato de talvez eu não conseguir entrar na Polônia por estar vindo fora da zona schengen. No fim deu certo de entrar no país, mas sem antes muita preocupação, incertezas e muita muuuita ansiedade.

Antes de mudar, pude marcar de fazer uns ensaios em Dublin e foi uma experiência muito legal para mim. Pude ir aos poucos me despedindo dos meus lugares favoritos e também ir ganhando experiência com isso. Não consegui fazer as viagens que eu queria, mas pude me encontrar com a Lari algumas vezes, iria ficar muito mais chateada se não conseguisse me despedir dela. Uma pessoa que se tornou tão especial pra mim e não sei o que teria sido da minha vida irlandesa sem ela.

Pude ir também para Wicklow e conhecer a casa nova da Dom, uma querida amiga que conheci nos meus últimos anos na Irlanda, mas que se tornou muito especial também. Fiz uma sessão com ela e o marido, conheci as duas cachorrinhas que eles finalmente tinham conseguido trazer da África do Sul para Irlanda e passamos um dia muito legal perto do mar. Fotos a seguir tiradas pela Dom e o Eben.

O momento que uma foquinha apareceu

Teve também despedida com a ”minha criança” irlandesa, a garotinha mais incrível que eu já conheci e tive o prazer de ter na minha vida nos últimos 4 anos. Foi muito doloroso tanto pra mim quanto pra ela, muito choro, muito aperto no coração. Ela é uma pessoinha que ocupa um espaço muito especial dentro de mim e ter que vir embora pra longe dela foi difícil demais.

Os meus últimos meses na Irlanda foram assim, de muito choro, de muita dor no coração, de agonias profundas e sentimentos que eu nunca tinha sentido antes. Uma das despedidas que mais me doeram, afinal, foram 7 anos da minha vida lá, realmente não seria fácil. Pessoas e lugares que deixaram uma marca muito profunda em mim. Uma situação delicada por sí só e no meio de uma pandemia as coisas se intensificaram muito mais.

A Irlanda é minha casa e vai sempre ser, não importa onde eu estiver. Um ciclo que se fechou, mas que não é o fim. E não vejo a hora de todo esse pesadelo passar, pra eu poder voltar pra lá quantas vezes eu quiser e visitar todas essas pessoas muito queridas pra mim. E eu só tenho que agradecer a Irlanda, por todos os momentos que vivi, os bons e os ruins, todo o aprendizado, as descobertas e o acolhimento. Cheguei aquela menina de 22 anos cheia de muitos sonhos, evolui tanto e vivi os melhores anos da minha vida até agora. A Irlanda é um lugar muito especial, que sorte a minha de ter chamado essa ilha de casa por todos esses anos.

Não é um adeus, Irlanda….não é. Até logo! ❤

Comments

  1. Ai Taís, mudar é sempre doloroso neh? Meus olhos já encheram de lágrimas só de ler sobre a sua despedida com a garotinha. Ainda bem que houve muita compreensão no meio dessa loucura de pandemia. Morei bem menos tempo na Ucrânia e já senti várias coisas que vc sentiu tb pelo que pude perceber do texto, imagine morando 7 anos! Sinto saudade de várias coisas da Ucrânia e um dos motivos pra eu continuar estudando russo com a mesma professora é que ainda não estou preparada para cortar esse cordão umbilical. Enfim, espero que sua vida na Polônia seja tão legal quanto foi na Irlanda. Beijos!

  2. Ai, amiga, estou aqui chorando. Que saudades de voce aqui pertinho de mim, a Irlanda nunca sera a mesma sem sua companhia de todos os momentos, quantas aventuras que vivemos juntas por aqui e outros lugares! Voce me ensinou e me mostrou tanto… Definitivamente nao foi a despedida que planejamos, mas tenho fe que ja ja poderemos viver mais aventuras juntas!

  3. Despedidas já não são fáceis, então imagina no meio de uma pandemia, quando você mais quer encontrar e abraçar as pessoas pra se despedir e não pode 🙁
    Poxa deve ter sido tudo bem difícil pra você em vários níveis, mas eu tenho esperança de que um dia isso tudo vai passar e você vai poder voltar pra visitar a Irlanda e as pessoas que você conheceu lá quantas vezes quiser.
    Forças aí!

    Ah, e maravilhosas as fotos como sempre, eu amo ficar admirando cada uma delas *-*

    Beeeijos!

  4. Ai mds tô quase chorando aqui!

    Eu te admiro muito por viver num país tão longe da sua terra natal. De se abrir pra uma cultura diferente e abraçar desconhecidos para a sua vida que, eventualmente, se tornaram uma família só sua.

    Que sua nova morada te traga tudo isso e muito mais Taís! Vou ficar torcendo por você ♥

  5. Caramba que texto lindo e emocionante ♥
    Deve ter sido extremamente complicado se mudar e toda essa questão da pandemia, das incertezas…
    Mas fico feliz que no final de tudo certo e sem dúvidas você terá muitas oportunidades de voltar pra Irlanda!
    As fotos como sempre muitoooo lindas 🙂

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

  6. Eu tenho muita dificildade com despedidas, e se sair de Berna sem conseguir me despedir direito já foi difícil, eu nem imagino como foi sair da Irlanda nesse momento, dessa forma melancólica… Que ano difícil! Fico feliz de ver sua resiliência, sua força e o carinho e compreensão das pessoas com seu momento.

    E que a nova vida continue sendo linda <3

  7. Oi Thaís,
    Confesso que lendo sua postagem fiquei pensando… como deve ser difícil se despedir de um lugar que se tornou um lar. Lembro que te acompanhando pelo IG você compartilhou um pouco sobre a mudança, e só fiquei pensando no quão complicado deveria estar sendo, e torci pra que no fundo a mudança fosse suave pra você, mesmo em meio a essa loucura.
    E não é um adeus, e agora na Polônia nova memórias vão se formando.
    forte abraço,
    AVA

  8. Ai Taís, que aperto no coração. 2020 acabou MESMO com os planos de todo mundo ~ mas tenho certeza que você vai voltar sim para a Irlanda, para fazer tudo que não deu pra fazer e muito mais. Foi linda sua história por lá ~ e vai ser linda a sua história na Polônia! <3

  9. Aai, emocionei aqui!

    Não consigo nem imaginar a angustia de viver tudo isso no meio da pandemia… Já seria um momento complicado em qualquer outra situação, né?
    Mas que bom que no fim você conseguiu se despedir de algumas pessoas e lugares e chegar na sua nova casa em segurança <3

    Beijos!

  10. despedidas são dolorosas mesmo, ainda mais em tempos de pandemia, onde os nossos sentimentos estão todos embolados. eu super me vi nesse post porque tenho uma dificuldade bem grande em encerrar ciclos, então consigo imaginar e sentir a tua ansiedade pré-mudança, com todos os planos sendo desfeitos e as incertezas do que estava por vir.

    espero que tu estejas bem na nova casa e que, em breve, possa voltar para rever teus amigos e fazer todos os passeios e viagens que foram adiados.

    um beijo,
    gabi ramalho ♥

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