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Íslendingabók – O livro dos islandeses

A Islândia é um país que tem sua história muito bem registrada, e com isso, os islandeses conseguem ter informações e rastrear seus antepassados de muuuitas gerações anteriores, é simplesmente incrível!

Um desses registros valiosos para história do país é o Íslendingabók (O Livro dos Islandeses), escrito por Ari Þorgilsson, que foi um historiador islandês e o primeiro a escrever história em Old Norse. Ele registrou detalhadamente neste livro a história das famílias que foram se estabelecendo na Islândia desde o comecinho da colonização. Além disso, Ari também contribuiu com o Landnámabók (O Livro da Colonização – história pra um outro post), que conta como a Islândia foi encontrada, colonizada e também com registros das famílias. Dois verdadeiros tesouros pra história de uma país, não é?

O Íslendingabók tem duas versões, uma mais antiga e outra mais nova, mas infelizmente só a mais nova sobreviveu ao longo dos anos. O livro tem 10 capítulos e são tratados os seguintes assuntos:
– Colonização da Islândia
– Leis trazidas da Noruega
– Fundação do Alþingi (lá em Þingvellir)
– Concertando o calendário
– Partição da Islândia em quadrantes judiciais
– Descobrimento e colonização da Groênlandia
– Conversão da Islândia para o Cristianismo
– Os bispos e os homens de leis da Islândia
– Geneologia

E atualmente, o Livro dos Islandeses tomou uma forma mais moderna e de um manuscrito medieval se transformou para um banco de dados online: https://www.islendingabok.is/ – Nasceu de uma colaboração entre a empresa de genética DeCode e o empresário de sotware anti-virus, Friðrik Skúlason. Lá você consegue ter informações genealógicas dos habitantes da Islândia de mais de 1.200 anos atrás, fantástico, não?

Só quem é islandês (ou residente legal do país) pode ter acesso à essas informações, tem que fazer um requerimento de senha e apresentar um ID islandês, o tal do kennitala, para fazer login no website.

Agora imaginem que legal, você poder ter acesso à essas informações incríveis e saber a linhagem da sua família de milhares de anos atrás? O engraçado disso tudo, é que como a Islândia tem uma população super pequena e os genes lá não são muito diversificados, visto que a imigração pra lá era super pouca e só ficava a coisa toda entre eles, quando eles vão checar as informações sempre acabam descobrindo que um é meio que ‘parente’ do outro de certa forma, já que no meio dessa pesquisa genealógica se ve que muitos nomes se repete pra várias famílias, os casos de incestos eram bem grandes naquela época. Eu sempre brinco que a Islândia é uma ‘grande família’, mas de certa forma, não é que é verdade?

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Os professores de história da Islândia também incentivam seus alunos a olharem seus antepassados pelo Íslendingabók, já que pode acontecer de várias figuras históricas que eles estão estudando no momento seja da linhagem dos estudantes, olha que surreal. Você sei lá, tá estudando sobre uma pessoa importante pra história e descobre que você é da mesma linhagem? Pode ser seu tatatatatatataravô/vó de sei lá quantas gerações passadas. Imagiiiiiinem só, eu fico doidinha só de imaginar, e como boa amante de história, fico fascinada com essas coisas.

Mas não termina por aí não, o Íslendingabók tem uma versão mais moderna ainda, não é que acabou virando um aplicativo? Isso mesmo! – Falei aí em cima que as chances das pessoas serem parentes é muito grande, certo? O que acaba acontecendo é que os islandeses não têm um nome de família como sobrenome, os sobrenomes deles são ‘filho ou filha de fulano’, é o nome do pai (algumas vezes o da mãe) acrescentando o son (filho) para homen e dóttir (filha) para mulher, então por exemplo: meu nome é Taís e meu pai se chama Ragnar, meu nome e sobrenome ficaria Taís Ragnarsdóttir.  E assim ninguém tem como saber se aquela pessoa que tu conhece numa noite, pode ser um primo distante, já que você é o ‘fulano’, filho do ‘fulano’. Doido e interessante ao mesmo tempo, né?

Foi aí que surgiu o app, você meio que encosta o seu celular no dá pessoa e o aplicativo vai te dizer se você é ou não parente daquela pessoa, uma forma rápida e prática pra você evitar de dar uns beijo em um parente sem saber! hahaha – e assim também evitando os casos de incesto…. Só na Islandia mesmo, né? 😀
Deixo abaixo um vídeo de uma matéria curtinha da BBC que conta mais sobre essa história:

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As fotos que usei pra ilustrar o post são da Vigdís, do maravilhoso blog Valkyrja.com,  ela me autorizou a usá-las aqui, mas também queria falar um pouco mais dela. Ela é metada islandesa e metade norueguesa, sendo assim, ela também consegue ter acesso ao Íslendingabók.

E ao pesquisar os seus antepassados, uma grande surpresa! Quando eu li fiquei pirando, vou explicar o por que, mas uma coisa que ela disse em relação a isso que achei sensacional foi que ‘ seus antepassados não te tornam uma pessoa melhor do que ninguém’… E não é? Vejo tanta gente se achar com o rei na barriga só porque a linhagem da família veio desse ou daquele país. E olha só a linhagem de antepassados que ela descobriu acessando esse site, já avisando que, vocês que acompanham a série Vikings ou curtem bastante cultura e mitologia nórdica/viking, vão entender e pirar junto comigo também.

Ao pesquisar o lado da avó materna (a mãe dela é islandesa) e indo nessa lista de anos e anos atrás, ela descobriu uma linha direta com Álof Sigurðardóttir sendo uma das suas antepassadas, e quem é essa mulher, afinal? Ela é filha do Sigurd (Snake-in-the-eye), sim ele mesmo, filho de Ragnar Loðbrók. Eu dei um pulo lendo isso,  agora imaginem ela? Mas o Íslendingabók não vai tão a fundo em nomes mitológicos como o de Ragnar, por isso aparece só a partir da Álof, que se tem registros mais concretos de data de nascimento. E nessa mesma linhagem tem Ólafur ‘The White’ que foi o rei viking aqui de Dublin e que reinou também com ajudinha de seu tio-avô Ivar, sim ele mesmo, Ivar the Boneless.

E não para por aí…

Ela também pesquisou o lado do avô materno e descobriu mais nomes importantes como o Kjarvalr Írakonungr  (ou Cearbhall mac Dúnlainge), que foi um um dos reis mais poderosos da Irlanda e que nessa mesma linhagem aparece o nome do Snorri Sturlusson, siiiiiiiim ele mesmo, o cara que foi o autor da Edda em Prosa, que é o material  mais valioso pra cultura/mitologia nórdica sendo sua principal fonte literária. Incrivelmente foda, não?

A Vigdís fez um post sobre isso e super recomendo vocês irem ler neste post(é o quarto post da página com o título de Ættfræði family history) a experiência mais detalhada de quem realmente acessou o Íslendingabók, é fascinante!

>>> Quem aí também pira em história e gostaria de descobrir mais a fundo seus antepassados?

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//26 Comments

  1. Gabi

    junho 21, 2016 at 2:21 am

    Eu acho sensacional essas coisas que ajudam a manter as tradições vivas. Nasci numa cidade que foi toda colonizada por alemães e poloneses, e as tradições todas se perderam. Os poloneses, principalmente, não sabem dizer um prato típico, uma música, nada. Isso aconteceu basicamente por conta de pobreza, outras necessidades, mas acho tão triste. Acho incrível países e sociedades que tentam manter isso sempre vivo!

    1. Taís

      junho 23, 2016 at 10:55 pm

      É muito legal mesmo e incrível essas coisa de manter as tradições vivas, nessas sociedades menores é mais fácil de manter isso.. e é uma pena que muitas acabam deixando a coisa toda se perder =/

  2. Dalini

    junho 21, 2016 at 3:37 am

    Ai mds amo historia, e que sorte da menina ter toda aquela linhagem, gostaria de saber os meus tbm, mas é meio impossivel, ja que aqui no Brasil não tivemos o costume de guardar todas as coisas escritas pelos antepassados, pelo menos não muito aqui no sul, na minha cidade onde vieram os alemães, italiano e poloneses. Amei o pots, vc devia postar mais coisas assim com curiosidade e historia <3

    1. Taís

      junho 23, 2016 at 10:57 pm

      É uma pena mesmo que no Brasil não se tenha os registros assim, né? =/
      E fiquei feliz que tu gostou no post, adoro fazer esse tipo de postagem por aqui então fico contente se tem alguém que gosta de ler essas coisas também 🙂

  3. Liduh

    junho 21, 2016 at 10:03 am

    Que bacana esse livro, Taís… Bom demais sabermos mais sobre nossos antepassados. Outro dia estava pesquisando sobre os nome na Islândia, achei engraçada essa história de “son e dóttir”. Uma delícia conhecer mais sobre outras culturas, costumes… Seu blog é sem dúvida, uma excelente fonte;)
    Bjs!

    1. Taís

      junho 23, 2016 at 11:01 pm

      Awnnn, que comentário mais fofo, Liduh, obrigada mesmo <3

  4. Ana Jähne

    junho 21, 2016 at 12:33 pm

    cara, eu sou fascinada por isso! há uns anos atrás comecei a entrevistar meus parentes e catar uns documentos. mas como é (ou era) o interior do brasil, muito papel nem sequer existe, ou se perdeu. enfim. tenho uma mini-árvorezinha genealógica que näo me leva muito longe no passado (mas me fez descobrir que tanho sangue de cangaceiro… mexa comigo, näo… kkkkk)

    1. Taís

      junho 23, 2016 at 11:07 pm

      HAHAHAH ri alto aqui, Ana sua cangaceira, vou mexer com você não 😀 😀 😀

  5. Camila Faria

    junho 21, 2016 at 4:43 pm

    Que coisa mais sensacional!!! Eu já tentei pesquisar meus antepassados, mas é MUITO difícil encontrar informações corretas aqui no Brasil. Falta documentação, os arquivos regionais e nacionais são uma piada… infelizmente. Eu iria pirar se tivesse acesso a algo tão maravilhoso quanto esse Livro dos Islandeses.

    Que surreal esse app, né? Imagina, se interessar por alguém e descobrir: ops, é meu primo. Hahaha! E, nossa, como a Valkyrja é linda. Surtei com o Bjørgvin Viking market, by the way. *-*

    1. Taís

      junho 23, 2016 at 11:20 pm

      Pois é, Cá.. é muito frustrante ir pesquisar essas coisas no Brasil, nunca se acha nada muito concreto, né, muito bagunçado!
      Eu também fico imaginando você lá de paquerinha com alguem e no final das contas ve que essa pessoa é da sua familia? HAHHA gente, muito engraçado.
      E siiim, ela posta cada foto e cada lugar legal que eles fazem as feirinhas vikings na Noruega, vontade de ir em tudo <3

  6. Laura Nolasco

    junho 21, 2016 at 5:58 pm

    Gente, achei MUITO legal esse livro! Aqui no Brasil é super impossível descobrir essas coisas né? Hahahha
    Deve ser muito louco ter como ver quem são seus antepassados mais distantes assim… E esse aplicativo? Hahahah morrri!
    Beijos Taís!

    1. Taís

      junho 23, 2016 at 11:24 pm

      O Aplicativo é muito engraçado, né? hahaha
      Uma pena que no Brasil seja tão complicado pra gente procurar nossos antepassados, né? Beiijoo

  7. Nicas

    junho 22, 2016 at 1:45 am

    Mas que absurdo que alguma coisa desconfigurou no inoreader e eu não estava recebendo os posts?!

    Achei tudo muito interessante (e organizado, pois só quem é da Islândia tem acesso, nada de curiar a vida alheia, nada de baderna), mas o app, meu deus, MELHOR APLICATIVO! Chega nos crush e pergunta “vamo ver se a gente é parente?”. haha

    1. Taís

      junho 23, 2016 at 11:35 pm

      Inoreader do mal esse hein? Você só usa ele, Nicas?
      HAHAH e sim, esse app, melhor app! E no caso da Islandia é super sério, pq de fato todo mundo se conhece.. e o pior é ta beijando parente sem saber, né? app super necessario ahahhaa 😀

  8. Brigadeiros e Barcelonaa

    junho 22, 2016 at 9:10 am

    Gente! Tem até aplicativo!!!
    Eu sou louca por esse tema de buscar antepassados! Os meus avós sao gringos, entao fica um pouquinho mais facil. De qualquer forma, adoraria saber se minha familia portuguesa e espanhola sempre viveram alí ou se imigraram de outros lugares da europa, tipo a Irlanda! 😀

    1. Taís

      junho 23, 2016 at 11:59 pm

      Siiiim, bate uma curiosidade enorme pra saber como o povo todo chegou onde chegou, né?
      E certeza que você tem um pézinho aqui na Irlanda haha
      beijos!

  9. Ed Schramm

    junho 23, 2016 at 2:12 am

    Taís do céu, a Islândia cada vez mais me deixando com vontade de conhecê-la (se é que dá pra ficar maior do que já é). Tudo nesse post é muito incrível pro meu coração aguentar, hahaha.

    Sério, amei muito.

    1. Taís

      junho 24, 2016 at 8:47 pm

      Awnnn <3 você tem que ir pra Islandia sim!!

  10. Cíntia de Melo

    junho 23, 2016 at 2:40 pm

    Nossa Ta, que livro lindo. De verdade, me lembra aqueles livros que ficam em caixa de vidro, sabe? Ta, acho muito lindo você se envolver com a historia de tudo, apreciar a beleza de cada lugarzinho que você vai <3 sou apaixonada, sério

    1. Taís

      junho 24, 2016 at 8:48 pm

      Awn <3
      eu gosto mesmo de me aprofundar nessas coisas sabe, realmente me enfiar nas culturas diferentes e aprender algo novo, porque viajar pra mim é isso, é uma troca <3

  11. Larissa Ayumi

    junho 23, 2016 at 8:57 pm

    Cara, que legal!! Nossa muito legal meeeeesmo! Eu adoraria saber mais dos meus antepassados. Mais legal ainda, é ver que a galera da Islândia tem a história toda escrita e guardada. Incrível!!
    Deve ser incrível também ver que seus antepassados foi gente que de alguma forma foi memorável, mas é bem o que a moça falou: nossos antepassados não nos definem. Mas é legal e incrível hahaha! Mas também é doidera pensar que você pode estar tendo um crush num(a) primo(a) seu hahahaha!
    Adorei saber disso Taís, adorei o post!

    1. Taís

      junho 24, 2016 at 9:35 pm

      Que bom que gostou, Larissa…
      E pois é, imagina ter um crush no primo? socorro hahaha 😀
      Beijo!

  12. Ricardo

    junho 23, 2016 at 9:04 pm

    MEU DEUS QUE POST MARAVILHOSO! Desculpa ‘gritar’! Mas nossa, que post lindo! Que livro foda!!! Foda que o Brasil nao tem registro antes dos europeus, né? Imagina isso no Brasil? Incrível demais!!!

    1. Taís

      junho 24, 2016 at 9:36 pm

      hahaha magina, não precisa pedir desculpa! Fico super feliz que tenha gostado!
      Siim, seria super legal o Brasil ter um registro mais detalhado e a gente conseguir rastrear e ver nossos antepassados de muuuuuuuuuuito tempo atrás! 🙂

  13. Alê

    junho 26, 2016 at 5:47 pm

    Que incrível esse post! Adorei saber dessas informações, Taís. Concordo que ser parente de alguém não te torna uma pessoa melhor ou pior, mas que ia ficar me achando se descobrisse que sou da família do Oscar Wilde, isso eu ia! Hahhahahah Esse negócio do sobrenome ser “filho de” ou “filha de” rola entre os eslavos tb. Se o sobrenome terminar com “ov” é “filho de” e se terminar com “ovna” é “filha de”. E quando a mulher casa adota tb o sobrenome do marido. Por isso a personagem Anna Karenina tem esse nome, já que o marido dela é Karenin. Claro que tem várias outras regras, já que tudo é mto complicado quando se trata de línguas eslavas, mas a grosso modo é isso aí. Beijo.

    1. Taís

      junho 29, 2016 at 8:54 pm

      Ahh Alê, obrigada por compartilhar essas informações também, adorei! Engraçado que se você for ver, esse padrão segue em vários países, só a gente que não sabe haha 😀 na Islândia quando você se casa você continua com o mesmo nome, não muda, porque pra eles não faz sentido, já que sei lá, a esposa não é ‘filha do fulano’, o nome do pai dela é outro, então não tem porqu ela ter o nome do pai do marido xD ou vice-versa
      Beijo :*

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