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Noites em Reykjavík

Voltar a escrever sobre a Islândia é como enfiar uma faca em um machucado, ou melhor dizendo, enfiar a faca na saudade, que é grande, gigantesca, não dá nem pra medir ao certo. Que me deixa em pedacinhos não saber quando vou poder voltar pra minha terrinha.
Tenho saudade de tudo, poderia ficar escrevendo horas e horas sobre cada coisinha, mas hoje dedico a minha saudade para as noites na capital, aquelas que chegavam bem cedo e duravam mais que a luz do dia.

Era dezembro, época de natal e as luzes natalinas por todas as partes deixavam as noites do Norte mais aconchegantes. Tinha coral de Natal e também era a hora que os Yule Lads apareciam pela cidade, os outros países normais têm somente um papai noel, não é mesmo? Mas, a Islândia sendo o país mais cool de todos, tem não somente um, mas sim 13 papais noéis (e outras figuras folclóricas natalinas), conhecidos como Yule Lads. Você os encontra projetados em prédios ou qualquer parede, eles estão espalhados pela cidade e é divertido ficar tentando achar todos eles, eu achei apenas 4 (esqueci de tirar foto de 1) e eles ficam se movimentando também deixando a coisa toda ainda mais mágica.As crianças islandesas começam a receber presentinhos/docinhos 13 dias antes do natal, cada dia um Yule Lad vem trazer uma surpresinha pra elas.

 

Vocês conseguem ver a plaquinha amarela ’12 Tónar’ ali no cantinho esquerdo? Vou aproveitar o momento e também falar um pouquinho e indicar essa loja querida. Eu já tinha em mente várias lojinhas que ficava sonhando em conhecer quando estivesse em Reykjavík e a 12 Tónar era uma parada obrigatória pra mim. E o que tem de tão especial lá? Bom, além de vender cd/vinil de todas as bandas maravilhosas que eu amo da Islândia, ela também é uma gravadora e de importância enorme pra cena musical islandesa, fora que também já foi ponto de encontro de vários músicos, como Bjork e minha banda preferida Sigur Rós. Não poderia deixar de passar por lá mesmo!
O ambiente é muito legal e claro, com aquele toque islandês de ser, um atendimento super friendly, tem sofas por lá e você pode pegar um cd e ficar relaxando ouvindo música, enquanto toma um cafézinho, já que eles disponibilizam cd players e tocador de vinil também. Quão incrível é isso? Ah, a loja também participa do Iceland Airwaves e rola shows de bandas por lá também durante o festival. Se você gosta de música islandesa, quer voltar pra casa com uma lembrança musical de lá ou simplesmente quer conhecer um lugar diferente/legal, por favor, não deixem de passar na 12 Tónar, fica na rua Skólavörðustígur, é bem facinho de achar já que fica perto da igreja, não tem como errar!

(peguei essas duas fotos no site TripAdvisor pra mostrar um pouquinho dentro, já que não tirei fotos lá)

As noites também eram feitas pra ir explorar os pubs locais, a vida noturna da capital islandesa é simplesmente demais demais! Com certeza vale a pena separar uma noite pra ir sentir isso, ou todas as noites, por que não? Já falei um pouquinho sobre isso no post sobre Reykjavík.

Vocês podem me chamar de louca ou o que quiserem, mas se tem uma coisa que eu sinto falta sobre as noites em Reykjavík eram as caminhadas, sim isso mesmo, caminhar naquelas noites geladérrimas em temperaturas negativas. A maior delas foi ir do hostel (no centro) até Grótta, mais precisamente para o farol que tem lá, pelo menos esse era o plano.

Como vocês podem ver, era uma boa caminhada, não? hahaha
Pegar taxi? Que nada! Não lembro quantos menos graus estava fazendo naquela noite e muito menos quantas camadas de roupas eu estava usando para enfrentar essa longa caminhada.  Saímos do hostel por volta das 11 da noite, mas antes que vocês já assinem o meu atestado de loucura, já aviso que essa caminhada era pra ver a Aurora Boreal, naquela noite as chances eram até que altas, ninguém tinha agendado tour pra ir pra fora da cidade e como em Grótta lá perto do farol é um loca afastado das luzes da cidade, acaba se tornando um bom lugar pra ver o fenômeno. Pensamos, why not?

Iriamos caminhar no frio por muito tempo, então fomos devidamente vestidos, levamos cobertas e comidinhas, não era algo no meio do nada (o que poderia acabar em morte), caminhariamos pela cidade mesmo, então não era nenhuma missão suicida.

No começo estávamos bem animados, estava tirando foto e tudo mais, mas aí que o frio aperta, né? Você pensa que caminhando vai dar um calorzinho, mas que belo engano, caminhamos por sei lá, 3-4 horas? E eu não senti nem um pouquinho de calor.

A verdade é que a gente se perdeu e foi parar em outro lugar, totalmente a direção oposta que era pra gente ter ido. Caminhamos até onde indica Grótta ali no mapa anterior e dai pegamos outra direção, por conta que ninguém me leva a sério, eu tenho cara de criança então acham que eu tô falando abobrinha, disse pra ir naquela direção porque tava certo, mas dai  que o B. disse que era do outro lado e resolveram seguir a opnião dele, depois se arrependeram, meeh.
 Mas no final das contas foi uma aventurinha engraçada, a gente foi parar em uma outra ponta e no quintal de umas pessoas desconhecidas (é tudo aberto, gente????), com neve até o joelho, estávamos quase mergulhando pra poder andar. Tava pouco iluminado o caminho por ali entre as casas, já era tarde e todo mundo provavelmente dormindo quentinhos enquanto estávamos lá atolados na neve. Mas, I regret nothing, tantas vezes eu aqui quentinha na minha cama só pensando que queria colocar as botas de neve, as mil camadas de roupas e andar nas noites geladas a procura das luzes do norte.

Como tinha muita neve, tava difícil pra andar e levaria mais uns bons 20-30 minutos andando naquele sufoco todo pra poder voltar pra outra ponta e para o nosso azar também ficou bastante nublado, as chances de ver a Aurora Boreal foram indo pro ralo, então resolvemos voltar. Que volta suuufrida e gelada, mas foi legal do mesmo jeito, tão gostoso andar pelos outros bairros e ver um pouco mais desse lugar que eu amo. Minha habilidade pra andar na neve/gelo também só aumentou depois dessa caminhada de louco aí, serviu pra alguma coisa, né? Não indico vocês fazerem o mesmo, ao menos que, sei lá, na verdade façam o que vocês quiserem (só se agasalhem direitinho, viu?), porque são histórias assim que a gente vai poder contar pros netos. Mas se tiverem com carro, melhor ainda, não deixem de ir mesmo conhecer o farol de Grótta.

 

Far up in the north, the nights can be so dark…(fiz um vídeo curtinho veja aqui mostrando o coral de natal e um Yule Lad se movendo)

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//11 Comments

  1. Larissa Fernanda

    abril 20, 2015 at 8:18 pm

    Meu Deus, que coragem andar tudo isso no frio kkk Mas pra ver uma aurora, eu também iria, viu? Que fotos mais lindas e que cidade encantadora! 🙂 ♥

    uritita.co.vu/

  2. Lívia

    abril 20, 2015 at 9:20 pm

    eu fico sempre maravilhada pelas fotos que você tira! são lindas, e fico morrendo de vontade de estar no friozinho quase congelando hahaha não aguento mais o calor do Brasil

    beijo!

  3. Sobre Caracóis

    abril 21, 2015 at 2:41 am

    Meu que sonho, sério mesmo!
    Agora fiquei curiosa pela Islândia <3

  4. filosofiabotequim

    abril 21, 2015 at 9:31 am

    Adorei ler a aventura. Eu adoro os países nórdicos. O meu sonho era mesmo viver um tempo na Noruega e outro na Islândia. Não sei explicar porquê. Fico fascinada com as histórias e as fotos que publicas. 🙂

  5. Ana Jähne

    abril 21, 2015 at 10:55 am

    eu tenho medo de frio e a escuridäo me assusta.
    mas esse ano pela primeira vez na vida pensei com carinho em botar meus pés nessa terra.
    acabou que näo deu, mas a ideiazinha näo morreu… quem sabe ano que vem?!
    (mas no veräo, apenas no veräo, pq dezembro da escandinávia pra cima é pros fortes e eu näo tô podendo ;/ )

  6. Bárbara Hernandes

    abril 21, 2015 at 3:32 pm

    É maravilhoso ler seus relatos sobre a Islândia recheados de muito amor e animação! Eu que adoro o frio confesso que fiquei até com medo de uma caminhada dessa… Coragem!
    E adorei a ideia de 13 papais noéis, muito legal!

  7. Tatiane Lucindo

    abril 22, 2015 at 2:32 am

    Que lugar lindíssimo! Confesso que sei pouco sobre a Islândia, mas posso ver pelas fotos vários motivos pra gostar então dá pra entender todo o seu amor sobre essa terra. Espero que consiga voltar pra lá em breve, e rever esse natal tão lindo com tantos papais noéis dando presentes hahah já é bom ganhar um, imagine vários. A lojinha de cds e vinis parece ser encantadora por dentro! E quanta coragem andar tudo isso, hein?

    Tatsiology

  8. Camila Faria

    abril 22, 2015 at 10:52 pm

    Inesquecível essa noite, hein Taís? Eu senti frio só de ler o post! Mas gente, também quero 13 papais noéis!!! Que tradição mais linda! <3

  9. Kah Souza

    abril 23, 2015 at 1:10 pm

    Hahahah, adorei esse relato de "perdidos na Islândia"
    Eu sou muito mestre em me perder, total desorientada, mas depois essas coisas sempre rendem uma boa saudade, né? Ainda mais se for em um lugar tão especial, assim como a Islândia é pra você. Todos torcendo pra você conseguir voltar o mais rápido possível pra lá e ter mais um milhão de histórias legais pra contar <3

  10. Ana Luiza

    abril 26, 2015 at 12:19 pm

    Mais uma vez, estou mais apaixonada pela Islândia. Sua viagem por lá deve ter sido incrível e, pelo visto, cheia de histórias para contar! Confesso que sempre achei o natal na Islândia o mais mágico de todos. Pelo visto, é assim mesmo por lá. Adorei o post e as fotos ♥
    Obrigada pelo comentário no blog ♥
    Beijos,
    Nalu
    http://www.coisasafins.com

  11. ingrid

    abril 26, 2015 at 4:56 pm

    Ahhhh meu que post mais lindo e olha que eu também iria querer ficar andando por aí! Até que é bem rapidinho, caminhar por uma hora quando se tem companhia é super tranquilo! <3

    ééé tão lindo ver o amor que você tem por esse lugar, Taís…

    PS. voc tem foto desse cabelo platinado/cinza pq fiquei suuuper curiosa! minha amiga ta querendo fazer aí a gente ta loka atrás de referências bacanas! hahahah e como foi esse periodo, desgastou muito o cabelo? como foi cuidar?? <3

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