Os dias no Sul

Chegar em São Paulo, na selva de pedras,  foi ter que lidar com aquele monte de informação e sentimentos dos mais variados que contei nesse post aqui. Cheguei muito cedo, por volta das 6 da manhã e desde então não parei, entre o interior e a capital, atravessei tudo pra ir encontrar com a minha família que é toda espalhada por aí e o trânsito infernal de São Paulo não facilita a vida nessas horas.

E ainda, no mesmo dia, voltar lá no aeroporto pra buscar meu pai, com o glorioso detalhe de que eu vim de um voo longo, sem dormir direito (no voo e na noite anterior também) e ainda louca das ideias com o fuso horário, só consegui deitar e dormir por volta das 11 da noite (o que pra mim já seria por volta das 3 da manhã). Foi um dia bom, porem cansativo e o fato de que eu tinha que enfrentar mais um voo no outro dia bem cedinho não ajudava.

Meu voo para Passo Fundo saia de Viracopos, em Campinas, nem lembro mais o horário, mas era cedo, muito cedo. Acordamos umas 3 e lálá da manhã pra poder sair e pegar um ônibus até o aeroporto. Dormir? Risos, deixa pra uma outra vida.

Eu poderia ter deixado pra viajar depois de descansar e colocar as ideias no lugar, mas na verdade foi bom já ir assim na loucura do cachorro louco porque os próximos dias foram tão tranquilos e era isso que eu precisava mesmo. Uns dias bem bons no interior do Rio Grande do Sul com muita natureza, comida gostosa da tia, chimarrão e aquele climinha delicia de inverno do sul.

Os 5 -10  graus que estavam fazendo lá nas Serras Gaúchas me lembraram o quanto as casas do sul são geladas, minha tia sempre me contou que passava mais frio lá dentro de casa do que na Itália, pra mim não fazia sentido, agora já faz. Pra esses lados de cá estamos acostumados com os aquecedores por quase tudo e no Brasil não são todas as casas do sul que têm um sistema bom de calefação. Era mais calor fora de casa, vai entender.

Noites de lareiras, vinho, brincadeiras com os priminhos novos (humanos e animais), matar saudade da família, do sotaque da italianada e da cidade pititica. Deu também pra conhecer um lugarzinho novo, tomar sorvete, fotografar e descansar antes de ir enfrentar a loucura de São Paulo de novo.

img_7970 20160710_135045img_8040 img_8064 img_8095 img_8122img_8194 rsimg_8225img_8351Não podia faltar também uma passagem nem que fosse rapidinha em Porto Alegre, só pra não perder o costume, mas dessa vez com um gostinho muito mais especial, já que uma pessoinha mega querida, minha irmãzinha de coração está morando lá.

Já estive três vezes em POA e se você me perguntar se eu já conheci pelo menos os principais pontos turísticos eu vou falar pra você que.. não, não conheço. Sempre que vou é muito corrido, não dá tempo e acabo ficando só com as pessoas e agora não foi diferente, o motivo da ida era ela, somente ela.

E vou ter que voltar um pouco e lembrar daquele tempo que eu achava legal usar esses sites de perguntas e respostas, faz uns 4 anos por aí, uma menina super simpática e fofinha me deixou uma mensagem por lá sobre a Irlanda e começamos a conversar. Gostei tanto dela e acabei dizendo que em breve estaria me mudando pra cá, ela já tinha feito um intercâmbio aqui quando ela era uma baby de 14 anos (ela continua uma baby pra mim, por isso minha irmãzinha) e naquela época morava no Paraná, queria tanto conhecê-la pessoalmente, mas isso infelizmente não seria possível naquele momento.

Só que o universo sempre tem umas surpresas estranhamente malucas e ótimas pra gente, ela estaria embarcando em mais um intercâmbio uns meses depois que cheguei na Irlanda, o país que ela iria ir ainda era um mistério, mas iria ser na Europa.  No começo era a Dinamarca, trocamos ideias sobre línguas nórdicas e era lindo saber que ela não estaria tão longe e que poderiamos viajar juntas pela Escandinávia.

Só que mais uma vez, outra surpresa, mudaram o país de destino dela e agora ela estaria indo para Hungria. Sério, Universo? Hungria?? Tá de brincadeira. Aparentemente ela iria morar perto da cidade onde meus dois amigos húngaros moravam e foi uma coincidência absurda, já que na época eu estava aprendendo o idioma também e todas as coisas estavam em uma conspiração húngara a minha volta.

Eu fui primeiro pra Hungria, quando voltei depois ela foi e nosso timing nunca se acertava, mas ela veio me dar amor aqui na Irlanda e foi lindo. Sabe aquela pessoa com uma energia maravilhosa que só de estar perto transforma o seu dia? A sua vida? Essa pequena marca a vida de todo mundo, é impressionante. Nos escrevemos em português, inglês, húngaro e ainda sonhamos com o dia que estaremos juntas caminhando pelas ruas de Budapest.

Talvez eu deveria guardar essas coisas só pra mim, mas ainda fico impressionada como as coisas acontecem de um jeito tão aleatoriamente certo. Acho que as pessoas deveriam escrever mais livros sobre como pessoas especiais apareceram na vida delas, histórias reais são mais bonitas do que qualquer outra inventada.

Amizade que não importa distância, época ou idade, amizade bonita, amizade que enche a gente de vida.

Obrigada pelo amor, por me levar no Iberê Camargo, por explicar por que o Pokemon Go não tinha no Brasil ainda, pelos abraços, pelas conversas doidas, pela tatuagem fake que você fez no meu braço e mesmo que ficou horrível depois eu não consegui te odiar e só sorrir com a lembrança. Cukikam, szeretlek!

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Ô se é…

Comments

  1. Aii Taís, fiquei emocionada com essa história <3 que amizade linda! Nesses dias em que as pessoas são tão ocupadas consigo mesma, ver que ainda existem encontros assim, é bom demais de ler!! E ainda vou conhecer mais o Sul! Só fui para SC e PR, o RS ainda tá na minha lista haha

  2. Uns diazinhos de calmaria no sul, que delícia Taís (mesmo que tenha começado “na loucura do cachorro louco”, adorei essa expressão, HAHAHA!).

    E que linda essa amizade, com tantas indas e vindas, mas sempre com muito amor! <3

  3. Que lindeza esse lugar no interior do Rio Grande do Sul! Coisa de filme, né?
    E olha, todo mundo que mora na Europa diz mesmo que passa mais frio no Brasil do que por lá. Além das casas, acho que as roupas tbm são mais preparadas, né?
    Eu, aqui no Panamá, não sei o que é frio há um bom tempo… hahaha

    Beijo!

  4. Ai que delícia de viagem. O Sul é mágico! As paisagens, a comida, as pessoas.. Infelizmente nunca passei muito tempo, mas morro de vontade. E que amizade bonita. Você é muito querida, Taís. Sempre cultivando as amizades, de longe mesmo, eu adoro isso. Beijos!

  5. O QUE É AQUELA FOTO SUA COM O BABY? amey demais hahahah
    Sou doida pra conhecer o Sul, mas tem tanto lugar que quero ir que nem saberia por onde começar 🙁
    volta logo pra Ca Tais hahaha

  6. Olha, nem me fale de frio, do jeito que está/é aqui no nordeste, está quase insuportável viver de tanto calor. Não tenho mais o que falar das suas fotografias. Amor forte. E sobre amizades, deveria existir um lugarzinho pra se guardar essas pessoinhas amadas… longe de tudo que existe de ruim pra ninguém nunca se machucar. Amizades assim não tem preço.
    ~um abraço~

  7. Gente, que loucura esses desencontros, mas mesmo assim, que bonita a história de vocês. Acredita que eu nunca fui pro Rio Grande do Sul? Só dei umas passadinhas por lá, mas nunca parei pra conhecer propriamente dito. E achei muito amor essa viagem, as fotos ficaram encantadoras, transmitiram uma paz mesmo.


    Beijos
    Brilho de Aluguel

  8. Que relato mais lindo, Taís! E essas fotos passam uma sensação muito boa de tranquilidade. Não conheço o Rio Grande do Sul apesar de conhecer várias pessoas de lá. Algum dia vou acabar passeando por aquelas bandas.

  9. Como tenho vontade de conhecer mais do Sul! Conheço apenas duas cidade lá. Seu relato, como a Alê escreveu, me passou uma sensação de calmaria. Lindas as fotos, queridas!
    P.S. entrei aqui pra ver os posts novos (acabei de receber umas 4 notificações por email) e nada. Depois vi nos emails que são posts antigos, só não entendo porque eles estão chegando agora pra mim. Será que aconteceu com outras pessoas também? Curiosa!
    beijos

  10. Que delícia de post, Taís! Acho que cê já sabe que sempre amo seus posts, seu jeito de escrever e tudo o mais.
    Parecem ter sido dias incríveis, que vontade de apertar as bochechas do seu priminho!
    Beijos!

  11. Ai Taís, só nos textos lindos por aqui, heim? <3 que amor!
    Eu acho incrível como o universo conspira para a gente conhecer as pessoas, mesmo que tenha alguns tropeços no meio.

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