Roadtrip na Armenia

Essa viagem aconteceu no verão do ano passado (começo de agosto), passando por 3 países do Cáucaso. A Armenia foi a reta final e não passamos tanto tempo por lá. A real é que toda essa região do Cáucaso dava pra ficar explorando por meses e meses. É incrível!

Fomos pra lá saindo da Georgia, pegamos um trem noturno de Tblisi até Yerevan. Chegamos de manhã já levando um soco na cara do calor. As temperaturas por lá estavam em torno de 36-40 graus….. ou seja, passei mal.

Foi beirando o impossível fazer qualquer coisa, sendo assim aproveitamos pra descansar um pouco no AC. Infelizmente não deu pra conhecer muito de Yerevan, a capital da Armenia. Uma cidade com muita história, ela é mais antiga que Roma! Deu pra dar uma volta à noite, ainda assim o calor tava insuportável, mas a cidade estava bombando, nem parecia que era uma quarta feira, cheio de bares ao ar livre e atividades para entreter crianças.

Yerevan

Fiquei feliz que pelo menos deu pra conhecer um dos locais que eu mais queria visitar em Yerevan: o museu sobre o genocídio armênio.

Não é um lugar feliz obviamente, mas necessário pra aprender mais sobre tudo que aconteceu na Armenia. O genocídio que mais ouvimos falar é o dos judeus, mas antes disso aconteceu o negocídio armênio que se é pouco falado, que foi executado pelo Império Turco-Otomano e que na época também recebeu suporte alemão – aqui um video curtinho (em inglês) resumindo o que aconteceu.

Eu mesma não sabia muitos dos detalhes sobre isso e pouca coisa da história da Armenia num geral. Foi bom ter feito essa visita ao museu e entender mais, é bem triste, revoltante mesmo… assim como todos os genocídios que infelizmente a história da nossa humanidade já presenciou (e continua presenciando).

Até hoje a Turquia não reconhece esse genocídio, dizem que foi um mero acidente de guerra. Uma coisa que eu não fazia ideia, era que vários métodos de torturas e testes praticados pelos otomanos contrao os armênios, foram usados também mais tarde pelos nazistas contra os judeus. No museu conta que soldados alemães que apoiaram o Império Otomano depois se juntaram ao partido nazista.

Por causa desse genocídio e das dificuldades encontradas no país, a diáspora armênia é muito grande. Muitas pessoas tiveram que deixar seus lares. Hoje, existem mais armênios fora da Armenia do que vivendo no país. A grande maioria foram pra Russia ou Estados Unidos, mas no Brasil mesmo existe uma comunidade grande de armênios.

Não pode fotografar dentro do museu. Ele fica no topo de um morro e de lá da pra ter uma vista panorâmica de Yerevan.

O melhor jeito pra aproveitar o pouco tempo que tínhamos no país foi alugando um carro. Assim veríamos as coisas, mesmo que de dentro do carro, sem passar mal. Eu simplesmente não funciono e não é exagero.

Eu me arrependi um pouco da ordem do roteiro nesse dia, mas deu pra conhecer lugares muito interessantes e que não ficam muito longe da capital.

A primeira parada foi pra conhecer o Khor Virap, um monastério do século 17, localizado perto da montanha Ararat. As vistas por ali são maravilhosas. Mas, nos arrependemos de ter subido até o monastério, que fica num morrinho. Poderiamos ter visto de longe mesmo e aproveitado o tempo em outro local. Estava uns 40 graus e foi complicado subir e andar um pouco naquela temperatura.

E uma curiosidade: a Armenia foi o primeiro país no mundo a adotar o cristianismo como religão oficial.

A vista ali é muito bonita com o Mount Ararat de fundo (dá pra ver lá de Yerevan também). Essa montanha é um simbolo nacional na Armenia e tem todo um significado pra eles ao longo de sua história como nação. Diz a lenda também, que foi em Ararat que Noé chegou com a arca e descansou depois do dilúvio. E por causa disso os armênios se consideram descendentes de Nóe (acho que é isso).

Mas..o Mount Ararat não pertence a Armenia, na verdade essa montanha fica no lado turco da fronteira. Pelo que eu entendi essa área de Ararat fazia parte de antigos reinos armênios e uma grande população armenia vivia ali antes do genocídio, mas hoje está em território turco. Mesmo assim é um simbolo muito forte para a história do país, na literatura, mitologia e na sua resistência.

Khor Virap e o Mount Ararat de fundo
(meio surreal ver neve no topo dessa montanha com o calor que tava fazendo haha)

Durante a estrada tivemos surpresas interessantes e paisagens muito bonitas. O engraçado é que como estávamos muito perto da fronteira com a Turquia, as rádios só pegavam as de lá e o sinal do celular também.

Passamos por umas vilinhas e no meio da estrada tinha um menino por volta de uns 15-17 anos (acho) pedindo carona. Paramos pra ele e ele tomou um baita susto quando viu que não éramos locais. Ele não falava inglês, mas apontamos pra ele no mapa a direção que estávamos indo e ele fez sinal com a mão de que iria reto também e aí fizemos sinal de volta que ele entrar. haha Ficamos todos calados e quando chegou o lugar que ele precisava descer, ele falou alguma coisa na língua dele e paramos o carro. Ele fez sinal dizendo que era ali mesmo e nos agradeceu com as mãos também.

Foi muuuito interessante, eu queria tanto poder ter conversado com ele, seria muito legal saber da sua vida ali naquelas vilinhas no meio do nada no interior da Armenia.

Seguimos por um desfiladeiro entre o Amaghu Valley pra tentar achar outro monastério. Foi de encher os olhos ver tanta paisagem bonita, vontade de ter muito mais tempo pra explorar o país (de preferência com temperaturas mais amenas hehe).

Achamos e fomos visitar o Noravank, um monastério do século 13. A Armenia é cheia dessas construções lindas esculpidas na pedra. Em uma delas nesse local dava pra subir umas escadinhas e ver uma outra parte por dentro. Adorei ter visitado!

Saindo de lá o plano era tentar passar um tempinho e pegar o por do sol no Lake Sevan. No caminho encontramos uma mulher acompanhada da filha pedindo carona. Paramos pra elas, ela era uma indiana/inglesa e tava viajando pela Armenia com a filha de 9 anos. Ela disse que pega carona com a filha desde que ela tinha 4 anos e as duas viajam por aí juntas, ficam em hostel, acampam… Foi muito legal conhecer a história delas e também ter ajudado elas chegarem perto do destino que queriam.

Mas infelizmente a gente acabou chegando meio tarde no lago. Por isso, acho que eu deveria ter montado esse roteiro diferente e talvez ter começado o dia nesse lago.

O Lake Sevan é chamado carinhosamente de ”mar da Armenia”, é o maior lago do país e também da região do Cáucaso. Por lá tem algumas praias e também um monásterio que queríamos ter visitado também. Acabamos só dirigindo um pouco por ali, deu pra ver que o lugar tem um climinha bem gostoso, dava pra passar o dia inteiro relaxando nessa região.

Mesmo com todo o calor e tendo que ver as coisas do carro, foi bem interessante ter conhecido um pouquinho da Armenia. Com certeza me deixou com vontade de voltar. Acabamos voltando um pouco antes pra Georgia, já que o calor lá tava insuportável mesmo e queríamos aproveitar mais de Tbilisi antes de voltar pra casa.

Quem tem interesse em fazer esses países do Cáucaso, sugiro ir primeiro pro Azerbaijan e depois pra Armenia, na minha experiência essa ordem foi mais tranquila. Só dá pra ir pra Armenia por vias terrestres saindo da Georgia ou se você vier do Iran. O país não tem relações diplomáticas com o Azerbaijan e a Turquia, então suas fronteiras são fechadas. Se você for pra região de Nagorno-Karabakh (uma região em conflito disputada pela Armenia e Azerbaijan), você será barrado de entrar no Azerbaijan, por essas e outras é melhor ir mesmo pra lá e depois finalizar a viagem na Armenia.

Dentro da Armenia também existe um território autônomo que pertence ao Azerbaijan, chamado de Nakhchivan e ali você também não pode cruzar a fronteira.

Fiz poucas fotos nessa viagem e não gostei da maioria. A memória já não lembra de vários detalhes, mas quis deixar registrado aqui mesmo assim.Espero um dia poder voltar e conhecer muito mais dessa região fascinante que é o Cáucaso. ♥

Comments

  1. O calor que vc mencionou me lembrou a minha passagem pelo Death Valley. Teve uma parada que a gente fez lá que eu tb não quis sair do carro pq era calor demais e eu tb não funciono bem nessas condições. Sei exatamente como é não gostar das fotos. No meu caso, isso acontece quando a luz está dura e por mais que eu edite, não fica com o resultado que eu gosto. Mas em viagem não tem muito jeito. Fico feliz que vc tenha feito o post pq achei tudo interessantíssimo. Não sabia absolutamente nada sobre a Armênia. E essa galera pedindo carona no calor desumano?! Muito digno de roteiro de filme.

  2. Eu amo calor, mas 40 graus é complicado pra fazer qualquer coisa…
    Achei muitooo interessante ver gela na montanha e mesmo assim estar um mega calor.
    Legal que vocês deram carona pro menino e nossa eu fiquei curiosa pra saber mais da vida dele nas vilas, pena que ele não fala inglês 🙁
    Muito legal suas aventuas!

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

  3. Nossa, me identifico muito com você toda vez que você comenta que não conseguia fazer as coisas direito por causa do calor. Eu sou 100% assim também, sofro muito e já deixei de aproveitar mais viagens por isso.
    Tô apaixonada por essas fotos… que lugar lindo!!!

    Achei muito louca a vista panorâmica da cidade… não sei se pelo costume com MG, mas acho surreal uma cidade retinha assim hahahaha
    E essas montanhas… lindo demais <3

    Beijos!

  4. Ah faz parte esquecer, mas acho que você ainda conseguiu colocar bastante informação no texto! E as fotos estão lindas Taís! Sua edição tá maravilhosa como sempre.

    Ai saudades de poder viajar…

  5. Oi Taís, tudo bem?
    Que legal que vocês deram carona pro garoto, achei muito fofa essa parte.
    Fiquei aqui imaginando o calor do lugar e toda a história que esse lugar carrega. Suas fotografias ficaram incríveis, me fez querer ver de pertinho, mesmo com esse calor todo. Será se faz frio em algum momento do ano?
    Bjus,
    Ava

  6. Que saudade que eu estava de ler os seus posts!
    Eu me lembro de na época do vestibular ter aprendido bastante sobre o genocídio armênio. Realmente é algo pouquíssimo falado e muitas vezes esquecido. A história ocidental muitas vezes apaga esses marcos de opressão e luta das minorias.
    As paisagens são lindas, os lagos, tudo apaixonante. Achei bem legal também como a cultura das caronas funciona. Muito bom ter essa sensação de segurança e confiança nos outros.

  7. Ai menina, eu super te entendo. Não funciono nada bem com temperaturas extremas também e o mal-estar que o calor dá me deixa uma ameba, além de mega irritada kk

    Não conheço NADA da Armênia e confesso que fiquei bem surpresa com essas histórias do genocídio. Também achei bem peculiar a arquitetura e o clima. Pelas fotos já pude sentir o calor, de verdade haha pareceu super seco e abafado ao mesmo tempo.

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