Europa, Viagens

Terror Háza

Terror Háza (ou ”Casa do Terror”, traduzindo literalmente do húngaro) é um museu relacionado aos regimes fascista e comunista que aconteceram na Hungria.
A Hungria tem um passado muito triste e doloroso, durante a Segunda Guerra Mundial o país sofreu muuuuuuuuuito com o nazismo, quase metade da sua população foi morta por conta desse regime. E aí, como se já não tivessem sofrido o bastante, veio os soviéticos, tentando ser o ‘bom moço’ da história toda. ‘Olha, vocês estão livres dos nazistas, o comunismo vai ser muito melhor pra vocês’. Bom, não foi realmente assim, né? A real história é que o domínio soviético foi MUITO pior que o nazista e ainda a Hungria ficou décadas sob esse regime comunista.  Triste, muito triste…
O museu é muito completo, é incrível a quantidade de materiais que eles possuem sobre esses dois períodos, tem documentos, vídeos, depoimentos das pessoas, os uniformes, todas as instalações… O museu realmente te faz voltar no tempo e imaginar como foi tudo naquela época.  Ao mesmo tempo que quero dizer que o museu é muito bom (o que realmente é), por todo esse conteúdo histórico, também digo que é um soco no estomago ver tudo aquilo. Eu já sabia de todo esse passado negro da Hungria, mas estar lá, ver e entender muito mais o que aconteceu é… bem intenso.
Esse prédio do museu, na verdade foi a sede do partido fascista e depois ainda foi usado pela policia soviética. Neste local muitas pessoas foram presas, torturadas e mortas, você tem acesso ao subsolo e pode ver todas essas instalações, os quartos em que as pessoas eram presas e torturadas. É muita, mas muita crueldade e a cada lugar que você entra é um outro soco no estômago que te dão, é um sentimento de muita angonia e tristeza, estar ali, onde toda aquela crueldade aconteceu.
Não é permitido fotografar dentro do museu (no Google tem algumas imagens), mas eu queria muito ter registrado a entrada dele, onde fica um tanque enorme de guerra e uma parede com imagens das vítimas do que aconteceram ali. Naquela parte fica um silêncio em homenagens às pessoas e você para e fica olhando toda aquela parede, e pensando, pensando muito o quanto deve ter sido horrível pra todas aquelas vítimas. Além de ver as coisas do museu, estava com meu amigo húngaro que me contou do seu bisavô que foi capturado pelos soviéticos e jogado do trem em algum lugar indo pra Rússia porque ficou doente no caminho e a família não teve notícias. Fico arrepiada só de lembrar.
Na entrada do prédio também tem retratos das vítimas, serve até como se fosse um altar e seus famíliares costumam deixar flores ali, acho que se eu visse alguém fazendo isso eu provavelmente abraçaria  a pessoa e choraria junto. E na entrada também fica mais algumas informações e um monumento da Cortina de Ferro.

 

O edifício do museu é muito bonito, só que ‘transmite’ todo esse terror (como já diz o nome) do que aconteceu não só lá dentro, mas também em toda a Hungria durante esses períodos.
Super recomendo a visita se você estiver em Budapest, são fortes emoções, mas te faz entender e aprender muito sobre tudo que aconteceu e entender a história do país. Fica localizado na Av. Andrássy e de lá é perto de outros pontos legais da cidade, bom sair de lá e ir fazer algum passeio pra levantar os animos!
Foi minha primeira vez em um lugar como este, é uma experiência forte, é triste, um sentimento de que você é um nada, mas como eu gosto muito de história não podia deixar de ir ver com meus próprios olhos. Tenho vontade de visitar os campos de concentração também, mas confesso que depois de visitar esse museu eu não tenho tanta certeza assim se ainda quero, ainda vou pensar muito bem antes, mas se eu resolver ir com certeza compartilharei essa experiência aqui também. Só de pensar já fico com ‘socos no estomago’ imaginários ao pensar na sensação de pisar num lugar desses.
E vocês, já tiveram alguma experiência parecida? Me conta que eu quero saber também!

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//16 Comments

  1. Thay

    agosto 28, 2015 at 12:08 am

    Acho que ao mesmo tempo em que eu ficaria curiosa pra ver um lugar desses, também ficaria super receosa. Acho que a carga emocional de um ambiente desses deve ser super intensa, deve dar uma sensação estranha. Já havia lido sobre esse museu em uma revista, mas achei legal ler sobre o que você sentiu visitando. Deve ser a mesma coisa que visitar Berlim ou monumentos como os do 11 de setembro. Me faria sentir minúscula diante tanta crueldade. =/

  2. Alessandra

    agosto 28, 2015 at 8:24 am

    Adorei que você escreveu um post só sobre esse museu. Esse era um dos principais lugares que eu queria visitar em Budapeste e aprendi muito ali (trouxe os papéis pra casa e estou lendo todos com calma). Foram 40 anos sob o regime soviético. Qualquer um que fosse contra o regime era eliminado. O Putin faz isso até hoje… Também tenho vontade de visitar um campo de concentração, mas ao mesmo tempo ficom com medo de não conseguir lidar com a energia que rola lá. Quanto mais eu estudo e conheço lugares como esse, penso na capacidade que o ser humano tem de ser muito cruel. É desanimador…

  3. Bárbara Hernandes

    agosto 28, 2015 at 9:18 am

    Ah, eu já tinha pedido pra Alessandra contar mais no blog dela sobre esse lugar e fiquei contente ao ver seu post a respeito pois eu estava curiosa. Não sabia que a Hungria tinha esse passado triste, uma pena!
    Eu visitei um campo de concentração e cara, é um negócio muito esquisito mesmo. Não me senti triste nem revoltada, fiquei num estado meio vegetativo mesmo, sabe? Não conversei com ninguém o dia inteiro. Ainda assim, recomendo a experiência. Quando entramos na parte de laboratórios onde os nazistas faziam experimentos científicos com as pessoas, noooooooossa, dá um frio na espinha!

  4. Paula A.

    agosto 28, 2015 at 2:44 pm

    Pesado. Tinha lido no blog da Alê e fiquei curiosa sobre, esse post dedicado exclusivamente ao museu foi uma surpresa ótima. Definitivamente é um lugar que quero visitar quando estiver na Hungria.

  5. Flávia Donohoe

    agosto 28, 2015 at 10:00 pm

    esse museu é mesmo incrível, gostei bastante de tê-lo visitado! As fotos ficaram demais, eu não consegui tirar fotos muito boas, pois fui no inverno e só tinha neve, mas valeu muito a pena! Eu acabei visitando também o do Holocausto, o Holocaust Memorial Center, você conseguiu visitar esse também? Esse outro mostra bastante o extermínio dos Roma, tô querendo voltar à Hungria, mas na primavera ou no verão.

  6. Larissa Ayumi

    agosto 30, 2015 at 1:54 am

    Se eu for num lugar desses eu com certeza vou chorar desde o momento que eu entrar até o momento em que eu sair. Eu acho que eu não tenho estômago para isso, ao mesmo tempo que gostaria de ir para refletir.
    Achei bem legal você ter compartilhado essa experiência no seu blog.

  7. celle coelho

    agosto 30, 2015 at 11:43 pm

    ai, eu não sei se iria nesse tipo de museu :~ apesar de ser muito legal conhecer sobre a historia, eu acho que preferiria passar meu tempo de viagem em lugares mais 'leves'. do jeito que eu sou, ia ficar emocionada em dois segundos e nem ia conseguir aproveitar o passeio de forma alguma.
    mas obrigada por compartilhar com a gente, Taís <3

    beijo

  8. Carol E.

    agosto 31, 2015 at 12:00 pm

    Eu gosto para caramba dessa parte da história, é um tanto inacreditável o nível que o ser humano chega. Quando eu fizer um tour na Europa super iria nesse museu, vou gostar bastante :3 e bom, a Hungria parece tudo de bom hehehe

    bjs, Carol | Espilotríssimo
    http://www.carolespilotro.com

  9. filosofiabotequim

    agosto 31, 2015 at 8:28 pm

    Adoro estes posts. Não são só as fotos que são lindas, mas fico sempre a saber mais qualquer coisa. 🙂

  10. Júlia Theodoro Duarte

    agosto 31, 2015 at 10:56 pm

    não vou mentir, por mais interessante que pareça e por mais bacana que tenha sido sua maneira de contar, não tem como… me dá uma certa tristeza instantânea, até uma melancolia.

    bom de ver que isso fica como espelho do que não se repetir, e ruim pelo falo de saber que ocorreu e tantas vidas foram tiradas a toa.

    ah, a primeira foto ficou muito linda!

    não conhecia seu blog, vim por indicação do Blog Day da Celle <3

    beijos!
    http://www.twolia.tk

  11. Camila Faria

    setembro 1, 2015 at 6:49 pm

    Impressionada com a beleza da construção, que fachada linda desse prédio/museu. Eu acho que nunca visitei um museu com esse tema, assim tão bem montado. Estive no Anne Frank Museum em Amsterdam e no Museo de la Inquisición em Lima ~ mas fiquei tão curiosa para conhecer esse lugar. É sempre um soco no estômago, né? Mas acho importante que a gente saiba dessas histórias ~ para não repetí-las jamais!

    Não sei se você já viu o curta/documentário do Alain Resnais, Noite e Neblina, sobre os campos de concentração. É maravilhoso, recomendo. (http://www.imdb.com/title/tt0048434/)

  12. Michelli B.E.

    setembro 2, 2015 at 12:01 pm

    Senti isso algumas vezes na minha viagem ano passado, foi perto do remembrance day e tinham homenagens aos mortos por todos os cantos. Dá pra ver como esses paéses sofreram com as guerras. Esse prédio é imponente hein? =O

    Tenho curiosidade de conhecer a Hungria, meu sobrenome é hungaro e meus familiares também eram, ai sempre fico pensando se tem algo rsss

  13. Kah Souza

    setembro 2, 2015 at 12:17 pm

    Não conhecia esse museu, primeiro post que leio sobre ele e que tenso. Eu tenho muita vontade de visitar campos de concentração mas nunca pensei mesmo em toda a carga emocional que existe no lugar e em como ela pode afetar as pessoas que estão visitando. Lendo você falar sobre esse museu eu senti acho que 1% disso w fiquei me imaginando ali, certamente ficaria muito abalada.

  14. Anne

    setembro 4, 2015 at 12:11 am

    Ai Taís… Que coisa mais triste. Mas acho muito importante manter esses lugares pra que as pessoas nunca se esqueçam nem repitam as atrocidades que aconteceram.
    Lendo seu relato deu pra sentir um pouquinho do choque que deve ser visitar esse museu. Eu não sei se teria estômago pra isso. Meus pais disseram que sentiram a mesma tristeza quando estiveram no Coliseu em Roma e que todas as pessoas do grupo só queriam sair logo de lá porque é opressor e deprimente.
    Beijo

  15. BA MORETTI

    setembro 6, 2015 at 8:30 pm

    por mais que me bata uma leve curiosidade pelo lugar, aquela vontadezinha de conhecer mais da história, também me dá um aperto enorme no coração. não sei se eu teria energia suficiente pra aguentar a energia desse lugar. e é o mesmo feeling que me dá quando penso em conhecer o campo de refugiados. não tem como negar toda essa história e a carga emocional é imensa. de qualquer forma, acho interessante ainda terem esses espaços, por mais que seja doloroso relembrar ainda é muito melhor do que fazer de conta que nunca aconteceu.

  16. Jess

    setembro 15, 2015 at 6:05 pm

    que experiência!
    Eu com certeza teria que conhecer esse lugar. Me identifiquei com você, só vendo com meus próprios olhos.
    Me interessa muito esses países que estiveram sobre o domínio de regimes tão extremos, é triste, confuso, ao tempo que é interessante perceber o quanto é complexa essa questão. Analisando assim, meio que muito distante, é um passado muito difícil mesmo, porque mesmo durante o império austro-húngaro, a vida não era nada fácil. A europa de forma geral teve um passado conturbado para construção do que é hoje, coisa que na América a gente ainda não vivenciou (falo de guerras pesadas mesmo, com bombardeios e destruição em massa).
    enfim… eu nem sei muito o que dizer porque estou aqui viajando nos pensamentos, com várias reflexões.

    Isso me lembrou que eu ainda postergo para visitar o memorial da resistência aqui em SP. E por mais que sejam lugares de "clima pesado", acho que vale muito a visita. para problematizar nosso passado, nosso presente e nosso futuro.

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