Trekking a cavalo pelas montanhas de Wicklow

Vocês que acompanham aqui o blog, já sabem dessa minha meta de fazer 12 trilhas este ano, certo? Eu tinha em mente fazer apenas trilhas caminhando, só que ao longo do tempo abri espaço pra outras opções. Como foi o caso em Ínis Oírr, que fizemos uma trilha de bike. Só que, não me passava pela cabeça em fazer uma delas a cavalo.

Há uns 2 meses meu companheiro de aventuras machucou o pé e com isso, a trilha de setembro teria que ficar pra depois. Foi aí que ele teve a ideia de já que não poderia andar, uma trilha a cavalo seria interessante, uma experiência nova.

Porém, eu nunca fui lá muito fã dessa ideia de montar em um animal. Amo cavalos, acho um animal fascinante, mas pra ser sincera eu tenho um certo medinho de chegar muito perto de um. Eu até chego, mas com aquele frio na barriga. E pensar em montar em um, nunca me pareceu uma ideia muito confortável na minha cabeça. Pelo medo e por ter dózinha do animal ter que ficar me carregando nas costas.

Eu não quero me aprofundar muito no tema se é errado ou não montar em um animal, mas pra compartilhar minha experiêcia com vocês, acho que preciso ser sincera e abrir certos questionamentos sobre tal atividade.

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É um assunto meio que polêmico no mundo vegano/vegetariano. Já que sabemos que o ser humano maltrata animais sem dó e que não é diferente no processo de treinamento desses cavalos. Tem vegano que faz montaria, mas somente em casos em que o animal fica livre e não sofreu no processo, e também, que todo o equipamento usado não seja de couro verdadeiro.

Mesmo com um lado meu não estando muito feliz com a ideia, eu topei e fomos fazer o tal do trekking a cavalo pelas montanhas. E já avisando que, gostei por um lado e não gostei por outro, vou explicar meus motivos.

Estávamos em um grupo pequeno e o condutor perguntou quem já tinha experiência e quem era a primeira vez, assim ele foi escolhendo os cavalos certos pra cada um. No começo ficamos em uma área cercada pra poder acostumar e saber os comandos que tem que fazer pro cavalo seguir em tal direção. E já comecei não feliz com a ideia de ter que dar ‘chutinhos’ pro animal andar mais rápido.

Depois de todo processo inicial feito, começa a aventura subindo as montanhas. Estava um dia bem cinzento e choveu um pouquinho no trajeto. Os cavalos estavam bem confortáveis e conheciam bem o caminho que estavam indo. O meu cavalo era lindão e foi emocionante pra mim poder estar tão proxima assim de um, parece que o meu medo bobo sumiu.

14527633_1451744814842981_1584150169_nhorseEu sempre era a última da turma, meu cavalo não tava muito afim de ir rápido e eu também não queria dar os ‘chutinhos’, engraçado que ele sempre parava pra comer umas graminhas e eu deixava, mas a menininha que estava ajudando a conduzir o grupo sempre voltava pra nos buscar e fazer o cavalo manter o ritimo dos outros.

O que me fez gostar da coisa toda, foi exatamente essa proximidade com o animal. Eu colocava minha cabeça proxima a dele, passava a mão no bichão e parecia que eramos um só. Que sentimento bonito que senti de estar ‘corpo a corpo’ com um cavalo.
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O trajeto todo foi muito bonito, mesmo com o dia nublado as montanhas nunca decepcionam! Acho que ficamos 1h e pouquinho por lá –  imaginem a dor na bunda!

Começamos a descer e achei que dali já seria o final da nossa jornada, mas ainda tinha uma outra parte por vir: o rio!

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O condutor disse que atravessaríamos um rio, mas pensei que era  só pra cortar de um lado pro outro. A real é que iriamos entrar dentro do rio e percorrer uma certa distância. Certamente essa era uma situação que eu nunca imaginei passar na vida, estar montada num cavalo dentro de um rio!

Durante o percurso o rio tinha diferentes níveis de profundidade, desde razo até mais fundo.  Que sensação doida! O Lindo até comentou comigo ”não sei como te deixar mais próxima à natureza do que isso”.

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O que me fez não gostar foi justamente essa coisa de estar explorando o animal. Cavalos precisam de muito exercício, mas acredito que eles não precisam ser submetidos a certos treinamentos, ainda mais pra poder carregar um humano nas costas pra se exercitar.

Fiquei bem pensativa depois. Os cavalos eram super bem cuidados, estavam em grupo e muitos outros deles estavam correndo livres por todo o terreno. Deu pra ver que todo mundo envolvido ali tinha uma relação de carinho com cada animal, mas não sei o que eles passaram pra chegar até ali.

Meu receio de chegar perto de um cavalo amenizou, o trekking foi legal, mas eu não montaria de novo. Espero ter outras oportunidades de estar próxima a esses animais tão fascinantes , só que de outras formas. ♥

Comments

  1. Que experiência legal! Eu morro de medo de cavalos e não sei se teria coragem, mas parece ter sido bem gostoso. E só pra variar, essas paisagens de tirar o fôlego.

  2. ai Ta, isso dos cavalos é uma questão complicada, né? eu geralmente sou contra qualquer atividade turística que envolva animais, mas nunca tinha pensando isso nessa situação, que é andar a cavalo, uma coisa que é tão comum desde sempre (ficaria meio igual você, hahaha). mas enfim, não sei se toparia por questões de medinho, mas achei a experiência, a paisagem, o passeio, tudo bem lindo.

    • É verdade, Kah.. é um atividade tão comum que a gente nunca para pra pensar no outro lado da moeda, mas é importante! 🙂

  3. Eu sempre morri de medo de andar a cavalo. Já andei várias vezes, já tive um cavalinho, mas nunca perdi o medo. Sempre ficava dura em cima do bicho.. Aí acabou que deve fazer uns 18 anos da última vez que eu montei. Devo dizer que nunca pensei no lado dos maus tratos, como você colocou. É algo a se pensar. Linda essa trilha que você fez, quando vejo imagens assim me dá vontade de fazer. Mas aí depois desisto porque tenho medo do cavalo haha. Enfim, difícil! E coisa que eu amo ver aqui pela Suíça é esses cavalos de roupinha! Coisa mais linda <3

    • Sim, Gabi.. é um assunto difícil mesmo, né? haha No começo também fiquei super dura, ainda tava com medo, depois me soltei, mas fiquei com aquele peso na consciência. E cavalo de roupinha é a coisa mais fofa, não resisto! haha <3

  4. Oi Taís, eu fiz um passeio semelhante (mas sem atravessar um rio!) na Patagônia Chilena, numa fazenda particular onde os cavalos eram quase selvagens ~ e até um pouco arredios. Mesmo assim eu também fiquei um pouco apreensiva com a questão: até que ponto essa atividade é justa e bacana para os animais, sabe? Complicado, mesmo no final das contas o passeio tendo sido lindo e tudo mais…

    • É verdade, Cá.. fiquei pensando muito sobre isso, sobre o quanto é uma atividade justa e até que ponto faz sentido montar em um cavalo, sendo que eles podem simplesmente correrem livres sem ter que ficar carregando ninguém nas costas.

  5. Oi, Taís!
    Também tenho medo de andar a cavalo e fico com dó de vê-los carregando as pessoas, sei lá, também não acho legal! Prefiro vê-los correndo livre pelos campos, sem amarras, sem nada, só felizes rs.
    Beijos.

  6. Muito bonito o passeio, mas realmente acho que não daria certo comigo, porque tenho medo de cavalos. Não consigo domar o animal, no final das contas ele é quem me leva para onde quiser, então não dá, né?

  7. Que passeio tao feliz! Deve ter sido uma experiencia tão bonita Taís.

    Eu entendo essa parte da exploração, mas os cavalos estao acostumados e se forem bem tratados não tens de preocupar.
    Quando andei de camelo pelo deserto pensei no mesmo, mas depois ocorreu que eles estão apenas a trabalhar eem troca têm comida e bebida e ainda vivem com condições.

    *SORTEIO DO LIVRO EPIC BLOG*

  8. Eu não sei opinar direito nessa questão, porque desde pequena eu andava com os cavalos do sitio do vô. Pra mim é uma coisa natural, até porque eles eram bem cuidados e amados por lá… mas é estranho mesmo pensar em outra dimensão. Em que os animais só estão la para te servirem e te levarem…

  9. A foto do cavalinho de pijamaaaaaa!
    Eu nunca montei em um cavalo justamente por essa dózinha. Não sei se teria coragem de fazer o trekking 100% com um, ao menos uns 50% e não dando os ‘chutinhos’, como você disse. O importante mesmo é que foi uma experiência maravilhosa, fala sério <3

  10. amo amo aaaamo cavalos! nunca tive um, sempre andava na fazenda da minha amiga quando era menor…e não tinha nada de segurança como o capacete aí (infância no interior e nos anos 90 era tr00) aheuahe uma vez o cavalo saiu correndo mas tudo bem, nem caí hauehauhe fico feliz que vc curtiu tb mesmo com as parada vegana

  11. Que interessante ler esse relato e sobre sua reflexão sobre andar ou não a cavalo. Como mencionou é um assunto polêmico, e como namorei um vegano rs, não precisa dizer que meio que fui abdusida por ele. Já cheguei a andar a cavalo várias vezes, pois minha infância toda foi passada em uma fazenda. Hoje, depois de ver vários videos da PETA, entre outros relatos, sou totalmente contra a qualquer entretenimento que envolve animais. Sei que muitos são bem cuidados, mas só de pensar que os humanos os estão usando para ganhar dinheiro já exclui todo o meu desejo de cavalgar. Mas acho que no seu caso é diferente não é, afinal foi até bonito de ver que você quis ter essa experiência por causa do amigo. Parabéns pela atitude e também estou adorando esse desafio de fazer as 12 trilhas 🙂 Abraços e desculpa pelo longo comentário

  12. Oi Thaís! Então, eu tinha comentado antes que já tinha lido seu post, mas fiquei em dúvida com o que comentar justamente por causa dessa história dos cavalos. Quer dizer, não tenho moral nenhuma para falar porque como carne pra caramba, gostei dos shows com golfinhos que vi e sei que o lado ambiental pesa muito, mas simplesmente nunca parei para pensar nos cavalos porque eles tão com a gente desde o início da humanidade. E sei lá, minha única experiência deve ter sido em um passeio de colégio por volta de dois minutinhos em cima de um cavalo, mas um trekking deve ser algo bem mais pesado pro bichinho. Não vou mentir porque achei suuuuper legal esse passeio, as paisagens lindas e tenho certeza que eu acharia uma experiência emocionante, mas seu post me fez refletir bastante sobre os cavalinhos :/

    Beijos, Vickawaii
    http://finding-neverland.zip.net

    • O passeio é bonito sim, Vick.. mas foi impossivel não pensar no lado desses cavalos, mesmo com o passeio ”legal” e tals =/

  13. Entendo perfeitamente seu sentimento de “ter feito a coisa errada”. Nadei com um golfinho na Riviera Maia e foi uma experiência surreal poder interagir com segurança com um bicho tão inteligente e dócil. Depois bateu essa sensação ruim. É uma questão bastante polêmica e que não cabe num comentário ou mesmo num post inteiro, mas acho que todo mundo quer ser politicamente correto e esquece que muitos zoos, aquários, parques privados fazem um bem danado recebendo animais antes maltratados ou vítimas de tráfico, além de terem um papel importante para a conservação de espécies e nas pesquisas. Cabe à gente fazer a lição de casa antes de ir e se informar, o que nem sempre é fácil num mundo com posições tão antagônicas e pouco objetivas – e onde o dinheiro fala mais alto.

    • Obrigada por sua opinião também, Marcia… eu deixei de visitar zoos e esses tipos de atração com animais faz um tempo, seria ótimo se todo mundo pesquisar antes e saber os lugares certos pra irem ter contato com animais, mas infelizmente não é assim que acontece =/

  14. Eu já montei quando criança pois minha família é do interior e lá isso é a coisa mais comum. Nunca me senti confortável com isso e não conseguiria montar hoje em dia. Dá uma peninha deles mesmo! E também tenho medo. Fico feliz que você conseguiu se sentir próxima a ele. <3

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