Trilha na Bulgária: 7 Rila Lakes

Em Maio de 2019 embarcamos para Bulgária. Uma viagem curtinha de final de semana para aproveitar o feriado que caía na segunda. Nosso principal objetivo? Fazer trilha nas montanhas de Rila, a cadeia de montanhas mais alta não só da Bulgária, mas também de toda região dos Balcãs.

Nessas montanhas existem cerca de 200 lagos glaciais. Os mais conhecidos e visitados são os 7 Rila Lakes, um grupo de lagos localizados um acima do outro e conectados por pequenos riachos – entre 2.100 e 2.500 metros de altitude acima do nível do mar.

Quando vi fotos dessas montanhas e dos lagos, pirei demais e fiquei sonhando muito em fazer essa trilha. Mas tinha um problema; a melhor época pra fazer trilha por lá é no verão, entre junho e agosto. Nessa época as temperaturas passam dos 10 graus e as chances de pegar um tempo bom são maiores. No resto do ano o clima pode ser bem rigoroso, muita neve, chuva, tempestades. Fora que, de outubro até começo de junho os lagos estão congelados. Como estávamos indo no começo de maio, corríamos o risco de pegar um tempo ruim.

Fomos otimistas, queríamos ir até lá, se não desse certo a gente dava meia volta. Alugamos o carro no aeroporto de Sofia e pé na estrada!

É possível chegar de transporte público também, mas por causa da incerteza se íriamos conseguir subir a montanha ou não, achamos que ter um carro seria uma boa caso precisássemos mudar nossos planos de última hora e ir pra outro lugar.

Pra subir essa montanha e começar a trilha, tem um teleférico que te leva lá pra cima, evitando você pegar uma parte bem chatinha do trajeto – e faz você economizar umas 2 horas. Só que se tiver ventando, eles fecham o teleférico. Quando alugamos o carro e falamos que estávamos indo pra Rila, a pessoa que nos atendeu foi super simpática e fez questão de ligar pra gente lá no teleférico pra confirmar se eles estavam funcionando. Naquele momento tava tudo certo.

No meio da estrada, o cara nos ligou pra falar que ligaram do teleférico dizendo que eles tinham fechado por causa do mau tempo. Achei super legal da parte dele de ter esse cuidado em nos avisar. A gente seguiu viagem mesmo assim e quando chegamos lá eles tinham acabado de voltar a funcionar de novo. Ufa! haha

Massss, quando compramos os tickets do teleférico, avisaram pra gente que eles poderiam parar a qualquer momento e daí não teríamos como descer. Só andando mesmo aquele trajeto que tava com um pouco de neve e lama.

Aceitamos correr esse risco e lá fomos nós montanha acima!

Conforme a cadeirinha subia e o chão ficava mais longe, me dava um frio na barriga. Uma mistura de felicidade (eu amo alturas) e um pouquinho de medo também, já que estava ventando e a cadeira balançava.

Montanhas são sempre uma surpresa. Se o tempo tá bom lá embaixo, não quer dizer que estará a mesma coisa lá em cima. Conforme subíamos o vento era mais forte e o céu avisava que uma chuva estava a caminho.

Essa trilha tinha tudo pra dar errado. Tava com previsão de chuva, teleférico não funcionar na volta. Como o tempo pode mudar em questões de minutos nas montanhas, arriscamos de novo , pelo menos até chegar no primeiro lago.

A primeira parte foi um pouco mais difícil, a subida era íngrime e tinha neve. E a paisagem ia ficando cada vez mais bonita, eu não conseguia acreditar no que meus olhos estavam vendo.

A trilha passa pelos 7 lagos. O primeiro que você vê é o número 7 e o último é o número 1. Cada um deles tem um nome e seu nome é por causa de alguma característica que o lago tem.

O sétimo lago se chama Dolnoto Ezero, que significa o lago mais baixo. O sexto é o Ribnoto Ezero, o lago do peixe, que é o mais raso. O quinto é o Trilistnika, que tem uma forma irregular e margens baixas. O quarto é o Bliznaka, o ”gêmeo”, esse é o maior deles por área. O terceiro é o Babreka, o “rim”, é o lago com as margens mais íngrimes de todos os 7. O segundo é o Okoto, o ”olho”, ele tem esse formato bem oval e é o lago mais profundo nesse formato de toda a Bulgária, com 37.5m de profundidade. Por último, o primeiro deles que é o mais alto, o Salzata ”a lágrima”, e ele tem as águas mais claras.

Dolnoto Ezero , o sétimo
Dolnoto Ezero (7) do lado esquerdo e o Ribnoto Ezero (6) do lado direito.

O primeiro e o segundo lago (7 e 6) foram mais fáceis de achar, porque eram os que estavam descongelando mais rápido. O terceiro e o quarto(5 e 4), foi um pouco mais difícil de achar no meio do gelo todo. Era fácil passar despercebido e não ver o lago.

Trilistnika, o lago número 5

Chegamos numa área que o único caminho era andar por um campo de neve. Não dava pra ver nadinha do chão e era como jogar campo minado. Você pisava, mas sem saber se iria afundar ou não. Demos umas boas risadas e era aquela adrenalina ao andar ali, sem saber qual seria o destino do próximo passo. A chuva tinha segurado até chegarmos ali, mas essa hora já estávamos cogitando a possibilidade de voltar.

Só sei que eu não cansava de suspirar com toda aquela beleza a minha volta. My happy place! ♥

Bliznaka , lago de número 4
Babreka , lago 3

Quando chegamos no Babreka, o clima começou a piorar e desse vez não arriscamos seguir. Ainda tinha uma subidinha pra ver o último lago. O lago número dois, eu jurava que a gente tinha visto, mas olhando as fotos agora, eu acho que não vimos. Ou vimos de longe? Não sei, era difícil as vezes de ver realmente o lago, quando tudo estava congelado e com muita neve em volta.

Mais um pedacinho do Babreka

Por conta do clima que não estava um dos melhores, nós tivemos essa trilha quase que só pra gente. Foi incrível a sensação de estarmos cercados por montanhas cobertas de neve e lagos congelados. Ainda mais naquela paz, sem pessoas, uma imersão total. Foi incrível!

Estava na casa dos 5-10 graus, o cenário era congelante, mas não estava tão frio assim. O ruim mesmo foi o vento, quando chegamos nessa parte, estava tão forte que começou a doer o rosto. Parecia que estávamos levando umas chineladas na cara.

Nesse ponto encontramos um cara que era guia ali em Rila, ele estava acompanhando duas meninas. Ele disse que não iria subir com elas pra ver o último lago. E concordamos com ele que o melhor era voltar. Faltava tão pouco, mas a chuva que tinha dado uma trégua até agora, já dava seu aviso final.

Foi só o tempo de voltarmos pro inicio da trilha, onde tem um chalé com um café e banheiros, que começou a chover muuuuito!

O teleférico tinha parado, nós e outras poucas pessoas fazendo trilha aquele dia ficamos no chalé esperando passar. Torcendo pra que pelo menos o vento desse uma trégua pra gente poder descer. E pra nossa sorte, o teleférico voltou pra última descida do dia, porque depois disso eles iriam fechar de vez.

Nos sentimos muito aliviados de ter voltado na hora certa. Faltava tão pouco pra completarmos a trilha, mas nossa segurança em primeiro lugar!
A descida no teleférico foi na emoção, ainda estava chovendo bastante, ficamos ensopados!

Conforme íamos descendo, a chuva ía parando e o tempo se abrindo. O clima nas montanhas é assim, imprevísivel, mas nos presentou com um belo arco íris no final. ♥

Ao todo se não me engano foram umas 3 horas de trilha (talvez um pouquinho mais). Até o último lago dependendo do seu ritmo pode ser entre 4-5 horas de trilha. Não foi difícil em termos físicos, mas mais desafiador por conta da neve em alguns trechos e o vento.

Com os lagos congelados foi difícil aproveitá-los, ver suas características e passar um tempo em algum deles, fazer picnic, etc. Mas foi muito incrível vê-los dessa forma e aproveitar essa trilha quase que vazia. Sei que no verão lota bastante (tem até fila pra subir o teleférico), mas quero muito voltar pra ver tudo sem neve também, ver a cor linda que essas lagos têm.

Cada estação uma surpresa e a natureza sendo perfeita em todas elas.

Video curtinho dessa viagem ♥

Comments

  1. Taís essa última foto tem um arco íris?! Que coisa maravilhosa!

    Ai suas viagens são sempre inspiradoras pra mim, eu sempre fico na vontade de viajar por esse mundão ♥

    • Tem sim ♥
      Fico muito feliz que minhas viagens te inspiram de alguma forma, quero ver você nesse mundão também 🙂

  2. Meu Deus que corageeem!
    Eu jamais faria isso, acho…
    Li seu post imaginando cada cena e nossa que medo!!
    Sem contar o vento, nossa eu odeio frio, fico até mal 🙁
    Mas a paisagem é deslumbrante, cena de filme. Caramba lindo demais <3
    Que oportunidades incríveis essas heim!

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

  3. Caramba! Que sonho e quanta coragem! Viver intensamente é justamente essa noção de correr riscos em momentos assim: pelas alegrias e não por detalhes vazios/banais. Amei as intensidades de cada momento descrito e que fotos INCRÍVEIS. Você sempre poetizando a vida em cada clique e experiência compartilhada. Lindezura!

    http://www.semquases.com

  4. Amo suas fotos e tuas experiências com essas viagens parecem ser incríveis ♥ e que coragem em fazer essa trilha. Eu sou muito cagona, já tava me imaginando tendo pequenas crises de ansiedade e pânico no teleférico hahaha

    Um beijo,
    Gabi Ramalho

    • haha eu que gosto de altura já me deu um mega frio na barriga no teleférico. Tem que gostar mesmo, mas as paisagens sempre pagam qualquer esforço <3

  5. Oi Thaís, tudo bem?
    Pensei duas coisas ao ver as fotos: Frio e Nossa! Que lugar!
    é de tirar o fôlego. eu sou apaixonada por montanhas e tenho muita vontade de conhecer lugares assim, pois a impressão que tenho é que deve dar uma sensação de paz tão grande. Obrigada por compartilhar um pouco da sua experiência, e espero que você consiga voltar aí em outra estação pra contar tudo pra gente.
    bjus,
    Ava

    • Oi Ava, a sensação é realmente essa, eu sinto uma paz e pertencimento muito grande. Meu lugar favorito pra ir são as montanhas, a natureza.. me sinto tão bem! <3

  6. As imagens são incríveis, lindas! E vcs são muito corajosos de andarem nessas montanhas sozinhos com esse tempo, eu com toda a minha cautela não teria nem subido visto que o teleférico já tinha parado uma vez kkkkk…
    Beijos!!!

    • Hahaha, a gente foi indo até onde dava, não foi uma missão completamente suícida, mas se eu nunca tivesse subido uma montanha, acho que eu tb não iria
      mas foi lindo lindo, as paisagens fizeram valer a pena 🙂

  7. Vocês são muito corajosos! Que bom que deu tudo certo e vcs viveram uma experiência inesquecível e ainda têm fotos e vídeo lindos para lembrar dessas paisagens.

  8. Nossa que paisagem! Que lugar! Que aventura! De tirar o fôlego essas fotos. Sempre quando eu olho para imagens assim me pego divagando sobre a imensidão do mundo. Ai <3

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