Uma viagem incrível pelo Cáucaso

Dessas viagens que eu preciso me beliscar pra entender que realmente aconteceu. Eu e o Boy queríamos muito visitar essa região e vimos uma oportuniade de ir durante nossas férias de verão.

Entre o Mar Negro e o Mar Cáspio fica a região do Cáucaso, que inclui uma parte do sul da Rússia, Georgia, Azerbaijan e Armenia. Essa área fica entre o leste europeu e o oeste asiático. Podendo assim dizer que é a fronteira entre a Europa e Ásia. O Cáusaso também é dividido geograficamente entre norte e sul; Ciscaucásia, que inclui a Rússia (cáucaso norte) e a Transcausásia que é a Georgia, Azerbaijan e Armenia (cáucaso sul).

Além dessas divisões, dentro desses países existem regiões autônomas. Alguns exemplos: Na Rússia, o Daguestão, a Chechênia. Na Georgia, a Ossétia do Sul, Abkhazia. Na Armenia, Nakhchivan (que na verdade é uma república autônoma do Azerbaijan dentro da Armenia). E o território de Nagorno-Karabakh, que é um território em conflito dentro do Azerbaijan – sendo maioria de etnia armênia e sendo controlado pela República de Artsakh, que era como esse território era conhecido antes.

É uma mistura muito grande de tudo, de etnias, histórias, costumes, idiomas.. Uma das regiões mais diversificadas lingísticamente no mundo! E a estrela principal pra mim, claro, a cordilheira do Cáucaso. Montanhas everywhere

Kazbegi, no norte da Georgia

Roteiro:
Nosso roteiro foi basicamente o Cáucaso Sul. Fizemos Georgia, Azerbaijan e Armenia. O lugar que passamos mais tempo e o foco principal dessa viagem foi a Georgia.

Fazer esse roteiro requer uma logística um pouco chata, visto que Azerbaijan e Armenia não têm relações diplomáticas. Não dá pra fazer uma reta só, já que você não vai poder cruzar as fronteiras entre esses dois países. Você terá que voltar pra Georgia pra seguir viagem pro outro país.

Então ficou assim:
Saímos de Varsóvia na Polônia, nosso voo era com uma escala na capital da Ucrânia, com destino a Tbilisi, na Georgia. Tem voos diretos de Varsóvia pra lá, mas saiam bem mais caros na época que estávamos procurando. Muitas low costs voam pra Georgia, só que pra cidade de Kutaisi. Pra gente não seria muito interessante essa opção, então voamos pra capital Tbilisi, mesmo com a escala.

Passamos um dia em Tbilisi e no outro dia pegamos um trem noturno até Baku, a capital do Azerbaijan. Voltamos de avião pra Tbilisi e aí sim ficamos mais tempo na Georgia. Depois desse tempo pegamos outro trem noturno até Yerevan, a capital da Armenia. Pra voltar pra Georgia pegamos uma van/minibus, que eles chamam de Marshrutka.

Georgia ♥

Na Georgia ficamos dois dias e meio só em Tbilisi. Queria ter ficado muito mais, o calor estava forte e não conseguimos aproveitar tanto assim. A capital tem uma vibe muito interessante. Uma mistura meio leste europeu, mediterrâneo e oriente médio, talvez? Muitos dizem que a Georgia é mais parecida com a Europa do que com a Ásia (como falei no começo, eles ficam bem no meio). Mas a real mesmo é que não dá pra classificar eles numa coisa só. A Georgia é a Georgia, nem Europa nem Ásia, um caso à parte.

Em um dia fizemos um bate volta pra conhecer Mtskheta, que fica meia hora de Tbilisi e ainda pegamos carona na estrada pra voltar, foi nossa primeira vez fazendo isso e foi bem interessante. E claro, fomos pro norte também conhecer as montanhas do Grande Cáucaso. Foram dois dias nessa aventura na estrada de ir e voltar, fazer trilhas e se apaixonar perdidamente por essa região do país.

A Georgia virou um dos meus países favoritos. Paisagens arrebatadoras, trilhas inesquecíveis, o melhor vinho que já tomei na vida, comida boa, preços bem acessíveis… E fora o tanto de gente legal que conhemos por lá. O país tem um sistema de visto bem flexível e muita gente vai pra ficar umas semanas e acaba ficando 1 ano (ou mais haha).

Em Tbilisi criamos até uma ”rotina” de se encontrar com viajantes e moradores locais no Fabrika. Uma antiga fábrica soviética de costura que foi transformada em um hostel e espaço cultural, com bares, restaurantes e lojas. Organizamos encontros com o pessoal do Couchsurfing por lá e foi incrível, estávamos quase que todo dia nos reunindo. Conhecemos pessoas de vários lugares do mundo e as guardaremos pra sempre no coração. Também conhecemos um georgiano que era especialista em vinhos e que nos recebeu pra fazer uma degustação de vinho. Com direito a brinde especial pros visitantes. Na Georgia eles têm um dizer que fala ”a guest is a gift from god” e está na cultura deles tratar o visitante muito bem.

Entendo perfeitamente essas pessoas que vão e acabam ficando.
A Georgia é encantadora, chorei na nossa despedida e também não queria vir embora.

Mtskheta
Mtskheta
Fabrika, em Tbilisi
Kazbegi – Achamos comidas veg’s e gatinhos ♥
Mount Kazbek , o terceiro pico mais alto da Georgia
Trilhas maravilhosas ♥


No Azerbaijan ficamos apenas dois dias. Pra ir até lá é preciso pedir um visto antes de ir. Pagamos 23 dólares a taxa do visto pra uma entrada única e ficou pronto em 3 dias, dá pra pedir esse e-visa pelo site do governo. Eles te mandam o visto por e-mail e daí só imprimir e levar com você. Tomem cuidado pra não cair em sites estranhos que cobrem um valor muito mais alto, peça somento pelo site do governo. O visto é válido por 30 dias e se for ficar mais que 10 dias no país você precisa se registrar com a imigração (não tenho certeza se são 10 ou 15, mas de qualquer maneira, se informe direitinho sobre essa questão).

Foi uma passagem curta, mas gostamos bastante de conhecer um pouco de Baku e arredores. O Azerbaijan é um país islâmico e é o mais rico ali da região (óleo e gás, né mores haha). Na capital tem umas construções modernas e é frequentemente comparada com Dubai.

Conseguimos também visitar um parque nacional, o Gobustan. Lá vimos petroglifos e vulcões de lama, foi sensacional! O Azerbaijan é o país que mais tem vulcões de lama no mundo e eu fiquei fascinada demais com a oportuniade de conhecê-los ao vivo. Vimos também o Templo de Fogo do Zoroastrismo e uma montanha com fogo.

O Azerbaijan é conhecido como a terra do fogo, já que esse gás sobe naturalmente da terra. É muito interessante!

A sagitariana e seu elemento!
Gobustan
Vulcões de lama ♥
Fim de tarde no Mar Cáspio

Na Armenia, ficamos 2 dias e meio. Até tínhamos pensado em ficar 3 e voltar pra Tbilisi só pra pegar o voo. Masss tava fazendo 40 graus por lá e como disse, a Georgia foi amor demais no coração e voltamos antes pra aproveitar mais uma noite e um pouquinho do outro dia antes de voltarmos. Como não tínhamos a passagem de volta, foi bom ter essa flexibilidade e decidir conforme nosso momento.

Foi beirando o impossível fazer qualquer coisa em Yerevan, o primeiro dia conseguimos ir conhecer o Museu do Genocídio, descansar, comer e dar uma voltinha à noite. A cidade tem muita história, é mais antiga que Roma! E tem várias coisas e lugares interessantes que eu queria ter explorado mais.

No segundo dia alugamos um carro e nos conformamos com a ideia de que só conseguiríamos aproveitar mesmo dentro do AC no carro. Fizemos uma road trip, passamos por lugares lindíssimos e valeu muito a pena. Fomos em dois monastérios, vimos montanhas e um pouquinho do Lake Sevan, demos carona pra duas pessoas na estrada, foi um dia muito legal. Tem cada construção de pedra sensacional na Armenia, mas nos arrependemos de ter subído no primeiro monastério, ficamos passando mal depois. Calor de matar mesmo! haha

Tinha vários lugares que eu queria conhecer na Armenia, eu prefiro ir mais na calma e se não deu, fica pra próxima! E eu quero voltar.

Khor Virap – o primero monastério
Noravank, o segundo
As estradas da Armenia ♥

E o idioma?
Todos os 3 países faziam parte da União Soviética e tinham o russo como língua oficial. Hoje em dia, principalmente os mais velhos, ainda falam russo, mas cada país tem sua própria língua e não se parecem nada uma com a outra. Na Georgia eles falam o georgiano e têm um alfabeto próprio, que eu acho tão lindo, parece até o alfabeto élfico do Tolkien. Na Armenia também é assim, eles têm uma língua e um alfabeto próprio (não latino), o armênio. Já no Azerbaijan eles falam o azerbaijani (azeri), que é da mesma família do turco, eles usam caractéres do alfabeto turco e as duas línguas são bem próximas.

Nessa região é mais fácil você achar alguém que fale russo do que inglês. Então se você sabe russo é uma mão na roda. Conseguimos nos virar com o inglês mesmo e o polonês. Já que o polonês também é uma língua eslava, dá pra enrolar alguma coisa com o russo. Eu morria de rir das conversas russo-polonesas que não faziam muito sentido, mas que se entendiam de algum jeito? Também em alguma situações estávamos com um amigo do Couchsurfing que falava russo e nos ajudou bastante.

Juta, norte da Georgia

Os 3 países são baratos, ainda mais se você compara com a realidade de se viajar na Europa. Dos 3 achamos que a Georgia foi o mais barato e é também o mais visitado. O turismo na Georgia vem crescendo bastante, seja entre os amantes de natureza (é um paraíso pra quem curte trilhas) ou os nomadês digitais, já que dá pra ficar um tempinho por lá sem grandes burocracias.

É seguro viajar por lá, apesar de algumas tensões que ainda existem nessa área. Se for fazer esse roteiro, visite primeiro o Azerbaijan e depois a Armenia. Quando você passa pela imigração no Azerbaijan eles te perguntam se você já foi até a Armenia. Tecnicamente eles não podem te proibir de entrar no país caso você tenha ido pra lá primeiro, mas eles vão te fazer mais perguntas e querer saber de tudo da sua viagem. No lado da Armenia eles parecem ser mais tranquilos enquanto a isso, não fizeram a mesma pergunta. Mas cada caso é um caso e pode ser que dependendo do agente de imigração ele vá perguntar detalhes da sua estadia no Azerbaijan.

Outra coisa que é importante falar é que, se você for pra região de Nagorno-Karabakh, o Azerbaijan rejeita seu visto e você não pode entrar no país. Por essas e outras, vá pra lá primeiro e faça Armenia por último.

Não faz nem 1 mês que eu voltei, mas já quero muito fazer essa viagem tudo de novo. Recomendo muito visitar os 3 países juntos, é uma experiência que te dá uma visão maior dessa região tão interessante. Entender mais da sua história, seus conflitos e suas culturas tão próximas, porem tão distintas.

Próxima vez quero voltar sabendo nem que seja o básico de russo, quero muito conversar mais com os locais e ter experiências ainda mais incríveis.

As montanhas do Cáucaso que me esperem, eu ainda vou voltar! ♥
(logo volto com mais posts dessa viagem)

E vocês, já pensaram em visitar essa região também? Ou alguém aqui já foi? 🙂

Comments

  1. Eu chego aqui e não sei nem o que comentar além de uau que lugar ou melhor que lugares! Eu fico encantada como tem países dentro de países e como somos tão diferentes em cultura, língua e mesmo assim somos tão parecidos. Que incrível!

    Beijão,
    Quase Mineira

  2. Fico sempre sem fôlego lendo tuas postagens e vendo as fotos, serião haha a viagem parece ter sido incrível mesmo ♥ eu tenho muita vontade de conhecer essa região e essa publicação me lembrou um pouco dos vídeos da Rússia da Dani Noce, não sei se tu já assistiu.

  3. Essa viagem foi incrível de acompanhar! Tudo lindo demais <3 adoro suas viagens, o pace, os detalhes que vc conta, e as fotos que posta! Quero ler tudo!

  4. Oi Thaís, tudo bem?
    Lembro de ter acompanhado no seu instagram as postagens dessa viagem e fiquei encantada com as imagens. Esses países pouco tradicionais, digamos, parecem reservar surpresas incríveis. Todas as vezes que leio um diário de viagem seu, anoto mais um lugar na minha lista de lugares para conhecer.
    ps: Me apaixonei por esse jumentinho. No meu estado natal há vários pelo caminho, de alguma forma ele me lembrou os que tem lá no meu estado.
    Abraços flor,
    Ava

  5. Sou apaixonada nas suas fotos e nas suas histórias sobre os mais inusitados lugares!
    Tudo muitoooo incrível ♥
    Gostaria de ter a oportunidade de conhecer lugares assim, mas né… complicadíssimo.
    Achei muito legal a Fabrika, vulcão de lama, trilhas, montanhas.. muito lindo.
    Arrasou!

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

  6. Se tem uma coisa que eu gosto mais nessa vida do que post de viagem, eu desconheço… As fotos carregam muita memória e muitas emoções, e mesmo que não tenhamos vivido do lado de cá, percebemos,

    Sem falar no cenário… Digno de um filme independente, desses meio reflexivos que fazem a gente pensar na vida. Ou um clipe de uma banda maneira.

    Só sei que já quero a produção, hehe ♥

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